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"Brasil Eletrônico"
Artigo publicado no Jornal do Comêrcio, Recife,
19.10.2005
por Rachel Motta
rmotta@jc.com.br
O conceito de e-government a partir da digitalização de
processos e serviços não é nenhuma novidade e em alguns países, como o
Canadá, há muito o termo saiu da teoria para a prática. Enquanto o Brasil
ainda nem conseguiu incorporar totalmente seus preceitos no cotidiano da
administração pública, eis que surge uma definição ainda mais ampla e
atrelada aos anseios de evolução tecnológica. O fato é que, aos poucos, a
tendência parece ser trocar o termo e-government (ou e-governo) por
e-desenvolvimento, que engloba também a modernização do setor privado, as
ONGs e as instituições de pesquisa. A prova da mudança na conceituação
ocorreu durante o Seminário Internacional de Informática Pública (Secop),
realizado semana passada no Cabo de Santo Agostinho com a presença de 650
participantes de 16 Estados brasileiros.
Outro dado levantado pelos especialistas em Informática pública é a mudança
no foco dos serviços oferecidos pelo governo, saindo das obrigações para dar
ênfase aos direitos dos cidadãos e da sociedade civil. Nesse sentido, as
práticas de uso das ferramentas de tecnologia da informação e comunicação,
as TICs, deixam de ser formuladas pelas elites para serem pensadas
coletivamente pelo bem-estar da população e, claro, pelo crescimento
nacional.
Um projeto lançado durante o evento foi o e-Brasil, formado por um grupo
internacional de especialistas em e-desenvolvimento do Brasil, dos Estados
Unidos e da Espanha. A idéia é criar uma estratégia de progresso nacional
apoiada nas TICs. O programa, que vai pleitear financiamento internacional
além dos recursos brasileiros, prevê a realização de uma série de eventos
abertos ao público como cursos e seminários para conscientizar da
importância do tema. A equipe trabalhará pela consolidação do ideal de
e-Brasil nas esferas do governo. |