Telemática e Desenvolvimento Ltda.
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Rio de Janeiro: Cidade Inteligente, Estado Inteligente

Um Projeto para Criar Muitos Projetos Bancáveis

Veja apresentação na Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2002

Peter T. Knight e William G. Tyler

Fundamentação 

O Rio de Janeiro começa a ter uma visão de seu futuro, um plano para realizá-lo, e uma liderança tanto visionária como pragmática para implementá-lo. Até recentemente a cidade vinha perdendo posição econômica relativa na hierarquia de cidades e regiões brasileiras e mundiais, apesar de um esforço de planejamento estratégico nos últimos anos que tenha preparado as bases para uma nova fase de desenvolvimento. No mesmo tempo, o Estado vem ganando novos fontes de renda derivados da exploração do petróleo. Mas o futuro da cidade e do Estado do Rio de Janeiro estão estreitamente ligados. 

O Rio pode aspirar a ser uma Cidade Inteligente dentro de um Estado Inteligente, isto é, o Rio de Janeiro pode usar as tecnologias da informática e das telecomunicações (a telemática) para realizar grandes avanços em cinco áreas estratégicas: educação, saúde, governo eletrônico, segurança pública, e defesa do meio ambiente. No processo, pode criar as condições para basear seu desenvolvimento futuro em áreas de rápida expansão na economia cada vez mais globalizada, onde o conhecimento –embutido no trabalho, no capital físico, e na gestão – é o fator de produção mais importante. 

O Rio de Janeiro não tem conseguido oferecer empregos para muitos dos graduados de suas universidades. Estes vão buscá-los em São Paulo e outras cidades do Brasil e do exterior. Num futuro próximo o Rio de Janeiro poderá não só dar emprego ao talento educado aqui, mas também atrair cérebros de outras cidades, estados, regiões e países. Assim o Rio poderá realizar a vocação de ser um centro de alta tecnologia (telecomunicações, informática, biotecnologia, geologia, materiais novos, e serviços sofisticados). O Rio pode tornar-se a Praia de Silício – é claro que matéria prima não falta. 

Os trabalhadores intelectuais buscam um lugar agradável e estimulante para morar – onde existe uma cultura vibrante, uma excelente educação para seus filhos, um sistema de saúde exemplar, segurança para sua pessoa e para sua propriedade intelectual, um ambiente agradável e limpo, com oportunidades de lazer abundantes, e um governo que facilita sua vida pessoal e empresarial, ao invés de “criar dificuldades para vender facilidades.” 

O Rio Inteligente 

O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa, num estado que tem condições de fazer grandes progressos em cada uma dessas áreas estratégicas. A telemática pode ser um poderoso instrumento de educação, saúde, governança, segurança pública, e defesa do meio ambiente. 

O elo do esquema seria um tipo de Intranet Rio de Janeiro que poderia ser operado pela PRODERJ (Centro de Processamento de Dados do Estado de Rio de Janeiro) em colaborção com o IPLAN (a agência correspondente da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro), com serviços grátis ou não, disponíveis a todos os cidadãos, seja em suas casas, seja em centros de acesso público (escolas, bibliotecas, centros comunitários, igrejas, e até empresas dedicadas a fornecer os serviços de computadores com conecção à Internet de banda ampla). 

Através desta Intranet Rio de Janeiro os cidadãos cariocas e fluminenses poderão:

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Educar-se em qualquer área do conhecimento, a qualquer nível do conhecimento.

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Obter informações sobre saúde e medicina.

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Interacionar com seu Governo (preencher formulários, obter informações, pagar impostos, estabelecer empresas, dar idéias, registrar queixas, etc.).

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Denunciar um crime (a ser mapeado com dados demográficos e geográficos para permitir melhorar a capacidade da polícia e do sistema judiciário de apreender e punir os criminosos)

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Receber informação sobre a defesa do meio ambiente e de como participar na sua proteção.

Para criar estes serviços, e seus importantes conteúdos, porém, o Rio de Janeiro precisa preparar projetos sérios, viáveis, e bancáveis. Estes projetos seriam preparados de acordo com padrões internacionais, para serem realizados com financiamentos do Governo, do setor privado, de organismos financeiros nacionais (como o BNDES), e de organismos internacionais, tais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. 

Para a preparação destes projetos, seria criada uma unidade de desenvolvimento de projetos ligada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e/ou a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. O seu lugar no organograma do Estado poderá ser na Secretaria de Fazenda (tendo a ver com mobilização de recursos), de Planejamento, de Ciência e Tecnologia, ou na PRODERJ ou FAPERJ. Também poderia estar numa ONG, por exemplo, na Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro ou na Agência de Desenvolvimento do Rio de Janeiro – existem várias opções. 

Perfis da Equipe da Unidade de Preparação de Projetos 

A equipe seria pequena, mas de alta qualidade, de renome nacional e internacional.  

Diretor Executivo. Deve ser um carioca residente na cidade, de muita influência e conexões em múltiplos setores (governamental, empresarial, sindical, técnico, financeiro), experto em pelo menos uma das cinco áreas estratégicas, generalista e visionário, de confiança do Governador, de grande experiência acumulada profissional (provavelmente na faixa etária de 50 até 70 anos de idade). É importante que o Diretor Executivo seja accessível para fazer contatos a alto nível para a equipe, participar em reuniões importantes, pronunciamentos, discursos, entrevistas, programas de televisão, etc. Deve ser um profissional estabelecido, de reputação impecável a nível nacional e internacional. 

Asessores internacionais. Estes devem ser economistas com Ph.D, com pelo menos 25 anos de experiência no Brasil e outros países, tanto da América Latina como de outras regiões, de preferência com pelo menos dez anos em organismos financeiros internacionais, capacidade analítica reconhecida nacional e internacionalmente, com publicações em várias línguas, excelentes contatos nacionais e internacionais, experiência na preparação e análise de projetos e políticas de desenvolvimento, experiência com mídia eletrônica, Internet, telecomunicações, comércio internacional, finanças. Estes assessores devem ter boa capacidade persuasiva, competentes para se relacionarem com técnicos, políticos, funcionários públicos, empresários, sindicalistas, mídia. Devem falar fluentemente português, inglês, e de preferência pelo menos uma língua a mais. 

Gerentes Setoriais. Estes devem ser brasileiros, com formação de pós-graduação, de preferência cariocas, com expertise reconhecida em seu setor e de preferência pelo menos uma mais das áreas de atuação do projeto (educação, saúde, segurança pública, governo eletrônico e defesa do meio ambiente). Eles devem estar na faixa etária 35 a 50 anos, ter pelo menos quinze anos de experiência profissional, de preferência tanto no setor público quanto no setor privado. Devem possuir boa capacidade de gestão, de liderar equipes, inspirar subordinados e com contatos de trabalho nos setores privado e público, ONGs, meios acadêmicos, centros de pesquisa, etc. Devem ser bilíngues em português e inglês, e de preferência falar pelo menos uma língua adicional. 

Técnico de informática e webmaster. Pode ser estudante de pós-graduação ou recém-formado em informática, com bom conhecimento da Internet, capaz de desenhar um site www para o projeto, manter o equipamento, resolver problemas com o funcionamento da rede local e software, e servir de assistente dos gerentes setoriais e dos assessores internacionais em contatos com técnicos dos setores prioritários. 

Orçamento Preliminar Indicativo 

Podemos considerar duas opções indicativas de orçamento para o primeiro ano de operações da Unidade de Preparação de Projetos. As duas opções diferem principalmente no número de pessoal trabalhando na Unidade, assim como no número de viagens de trabalho e de observação e estudo previsto. 

Na Opção A (Baixa) há dois assessores internacionais, dois gerentes setoriais, e duas viagens internacionais de estudo/observação. Na Opção B (Alta) existem três assessores internacionais, cinco gerentes setoriais (um para cada setor estratégico), e cinco viagens internacionais, assim como viagens domésticas em proporção com o total de assessores e gerentes empregados. 

O equipamento orçado inclui um computador com software para cada pessoa empregada, um servidor, e periferais (printer, fax, etc.).  

Tanto a remuneração do Diretor como o seu orçamento para representação (que também deve ser accessível com autorização para o uso dos assessores internacionais e os gerentes setoriais) não foram calculados, sendo questões para discussão. Tampouco foi estimado o custo da chamada “infraestrutura” consistindo em uma secretária executiva, uma secretária bilíngüe, e uma secretária, assim como o aluguel dos escritórios, “hosting”  do site www do projeto, telefones, eletricidade, despesas diversas, etc. O orçamento, porém, tem uma estimativa de “overhead” de 15 por cento dos salários orçados. 

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