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e-Governos e Globalização 

Peter T. Knight

Artigo publicado na revista Banco Hoje, no. 147 (junho de 2001), página 32

O e-learning é um dos serviços mais importantes que os e-governos podem oferecer. O desenvolvimento do recurso econômico mais importante, o cérebro humano, beneficia os cidadãos, as empresas e seus governos. Bem feito, pode criar uma sociedade mais justa, mais culta, mais eficiente e mais competitiva. Vivemos numa economia cada vez mais globalizada, onde a competitividade dos cidadãos, das empresas, das cidades, das regiões, das nações e dos blocos econômico-políticos determina seu nível de bem estar. E a competitividade é, acima de tudo, uma questão de educação, treinamento, organização e estabilidade. O capital físico pode ser comprado, o financeiro também. O capital foge da instabilidade, da incerteza, da incompetência e da burocracia excessiva. O capital humano se nutre, se constrói, por um esforço conjunto dos indivíduos, das famílias, dos governos e das empresas. Determina a competitividade.

O e-learning, disponibilizado através de sites governamentais, pode ser público e grátis, ou privado e pago. E estas não são as únicas opções. O governo pode cobrar por educação e treinamento. E o setor privado pode oferecê-los de graça – especialmente via ONGs e outras organizações do terceiro setor. Os governos (municipais, estaduais e federal) podem facilitar todas estas opções, colocando-as dentro de seus portais na rede. O que tem que fazer é repensar, reinventar e reconstruir a educação e o treinamento para tirar proveito do que é cada vez mais barato – o processamento, armazenamento e transmissão da informação, do conhecimento e, até, a sabedoria (graus cada vez mais elaborados de processamento dos dados), tudo eletronicamente.

A educação convencional torna-se cada vez mais cara. A razão é simples – a tecnologia envolvida não mudou muito, durante séculos. O professor e os estudantes vão para uma sala. Há um quadro-negro ou branco, giz ou canetas coloridas. Se houver sorte, há livros. O número de estudantes não pode ser aumentado além dos limites determinados pela capacidade do professor de interacionar construtivamente com eles. Quando a tecnologia em um setor se estanca e progride nos outros setores da economia, o preço relativo dos produtos do setor estagnado tende a se elevar. Se se agrega à tecnologia convencional, descrita acima, meios audio-visuais, televisão, computadores e ligações à rede mundial – mas não se muda a estrutura básica – a qualidade pode melhorar, mas seguramente os custos vão aumentar ainda mais. Porque não se faz o fundamental para a melhoria da produtividade: substituir um recurso mais caro por um recurso mais barato.

Os sistemas formais de educação são, por desenho, conservadores. Geralmente são financiados pelos governos e pelas famílias. Conservam o conhecimento e as estruturas são feitas para resistir às pressões políticas e econômicas. É no setor privado e no treinamento da força de trabalho fora do sistema formal, onde a regulação é quase inexistente, onde os imperativos da competitividade (do trabalhadores no mercado de trabalho e das empresas no mercados de bens e serviços) são onipresentes, que vemos os maiores ganhos em produtividade através do e-learning. As “universidades corporativas”, as empresas dedicadas a oferecer treinamento online para as empresas e para os trabalhadores entendem bem os benefícios em lucratividade e salários melhores. Elas mostram o caminho. E as empresas e os trabalhadores felizmente financiam este treinamento, com ou sem ajuda dos governos e das famílias. As empresas de e-learning começam a botar a pressão da competição e do exemplo de custos mais baixos e qualidade mais alta nas instituições de ensino convencional. O e-learning está tornando-se a indústria estratégica. Vai crescer muito rapidamente. E os governos podem ajudar, estimular este crescimento.

Tanto o setor privado como o setor público colhem os benefícios de uma população mais educada. Os trabalhadores ganham mais. As empresas também. Se a educação e o treinamento são bem distribuídos, a distribuição de renda melhora e, com ela, a estabilidade política e econômica. Os governos, então, arrecadam mais impostos, porque a base tributária cresce.

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