Banda larga da tomada?Peter T. Knight Artigo publicado na revista, Banco Hoje No. 151 (outubro de 2001), p. 28 O maior problema para o governo eletrônico no Brasil é o acesso dos cidadãos à Internet. Apenas 5 por cento dos brasileiros acessam a rede, 3.5 por cento o fazendo dos seus domicílios. Hoje há quatro modos de trazer a Internet a um domicílio ou a um centro de acesso público: O primeiro é a linha telefônica fixa, utilizada tanto pelo modem comum como pelo de banda larga (DSL). A teledensidade (o número de linhas telefônicas dividido pela população) era de 26 por cento em agosto de 2001. A segunda via é o cabo coaxial, usado para levar a TV de assinatura aos domicílios. Os cabos podem ser adaptados para permitir a entrega de serviços Internet de banda larga. A cobertura de domicílios com TV de assinatura é cerca de 46 por cento, mas uma fração destes domicílios recebem o sinal via microondas e, assim, a percentagem de domicílios servidos diretamente por cabo coaxial é bem menor. O terceiro modo é via satélite. Até este ano havia apenas o serviço de uma via (download de banda larga de um transponder digital a uma antena parabólica relativamente pequena). O retorno (cliques, envio de correio eletrônico, arquivos, etc.) precisa de uma linha terrestre. Mas agora serviços de duas vias via satélite vêm sendo introduzidos. Esta solução é a melhor para domicílios isolados das redes telefônica e de energia. O quarto canal de acesso à Internet ainda não está disponível no Brasil. É via linhas elétricas comuns, alcançando aproximadamente 93 por cento dos domicílios brasileiros. Cerca de 90 por cento dos domicílios têm pelo menos um televisor. Computadores cada vez mais baratos ou caixas “set-top” ligadas a televisores e acesso à Internet via linhas elétricas podem resolver o problema de acesso. Como? Esta tecnologia, chamada PLC, permite entregar serviços Internet de banda larga, incluindo a telefonia. Ela precisa de instalações de equipamentos especializados na estação de transformação e dentro e fora dos edifícios a serem servidos. Assim, a fiação elétrica comum da casa ou edifício vira uma LAN. A banda larga (até 4.7 megabits por segundo) pode ser alcançada. A tecnologia já está disponível e testada em muitos países. Para que a banda larga chegue à sua tomada, deve haver alianças entre produtores de equipamento, distribuidoras de energia elétrica e provedores de serviços Internet. A PLC é uma tecnologia de “último quilômetro” e necessita do acesso à Internet desde a estação de transformação à espinha dorsal da rede via linhas telefônicas, fibra óptica, e/ou algum outro meio capaz de transmitir dados IP em alta velocidade. Várias distribuidoras de energia elétrica no Brasil examinam hoje a tecnologia PLC. Problemas regulatórios e financeiros podem aparecer e ser confrontados. Mas no ano 2002 o Brasil deve ver projetos-piloto e talvez um “rollout” comercial desta tecnologia. As questões principais são: qual será o preço do serviço e se, para chegar à casa dos menos favorecidos, esta solução vai ter a ajuda do Governo. |