Banda larga na favelaPeter T. Knight Artigo publicado na revista, Banco Hoje No. 152 (novembro de 2001), p. 38 A Internet de banda larga pode trazer uma revolução de educação, treinamento, saúde, emprego, e outros serviços, inclusive serviços bancários, à população de baixo poder aquisitivo. Assim a Internet pode ajudar a resgatar o enorme dívida social existente no Brasil. Mas como fazer isto? Hoje a banda larga pode chegar a um domicílio ou a um centro de acesso público por quatro vias principais: a linha telefônica fixa, o cabo coaxial, via satélite, ou via linhas elétricas comuns (a tecnologia de Powerline Communications, PLC). Mas salvo que haja uma ajuda dos governos (federal, estaduais, e/ou municipais), a conectividade de banda larga, de fato qualquer conectividade à Internet é ainda cara demais para a população de baixa renda. A solução de curto e talvez de médio prazo é construir salas de acesso público em lugares freqüentado por esta população. Esta solução também pode ter o apoio dos governos, e seria menos oneroso aos orçamentos públicos do que uma solução domiciliar. Salas com um grupo de computadores ligado em LAN a um servidor com acesso à Internet de banda larga não custam muito. Elas podem ser construídas por ONGs como o Comitê para Democratização da Informática (CDI), que já tem 316 Escolas de Informática e Cidadania (EICs) no Brasil e mais 20 em outros países. A CDI tem tido um éxito impressionante no estabelecimento de suas EICs – éxito administrativo, financeiro, e de resultados. Mas estas EICs poderiam ser expandidos para terem ao lado de suas salas de aulas de informática, outras salas para acesso público à Internet de banda larga. Nelas a população das favelas e outras áreas de baixa renda pode estudar, aprender, buscar emprego, e ter acesso aos seus governos eletrônicos para receber uma ampla gama de serviços governamentais. Vejamos porque esta solução é prática. O CDI, e outros ONGs tem raízes populares. Suas instalações não sofrem de problemas de segurança porque são vistas como instalações do povo mesmo, para serem defendidas pelo povo apesar de estar localizadas em lugares considerados de alta criminalidade. Não há roubos de equipamento. Nas EICs, jovens, trabalhadores, desempregados e idosos aprendem como usar computadores. O CDI tem conseguido apoio financeiro crescente de organizações governamentais, empresas privadas, e fundações. Nas novas salas os egressos das EICs poderiam também desfrutar de seus novos conhecimentos técnicos para melhorar seu nível educacional, pesquisar soluções a problemas de saúde, formar novas microempresas, em geral acessar e criar conteúdos de utilidade para eles. Conteúdos que poderiam aumentar sua capacidade de ganhar uma vida melhor. Outras soluções também existem e estão sendo desenvolvidas tanto no Brasil como em outros países – salas em escolas, bibiliotecas, centros comunitários, correios, postos de saúde, e empresas privadas especializadas em prover este tipo de acesso. Todas estas soluções merecem estudo, e na medida que se mostram eficazes, merecem também apoio privado e público.
|