Modelo RussoPeter T. Knight Peter T. Knight Artigo publicado na revista, Banco Hoje No. 155 (fevereiro de 2002), p. 24. Com a recente visita do Presidente Fernando Henrique Cardoso e uma comitiva de empresários à Rússia, há um novo interesse brasileiro neste país e nas perspectivas que oferece para comércio e parcerias. Um dos legados positivos do passado soviético é a capacidade científica russa. Muitos cientistas russos, porém, hoje são infra-empregados. Corporações multinacionais vêm encontrando meios de aproveitar partes desta capacidade. Uma empresa russa tem servido de intermediário para que algumas destas multinacionais possam encontrar cientistas e laboratórios russos para ajudá-las a realizar seus programas de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Às vezes estes contatos resultam em aquisições por parte das multinacionais. A mesma empresa, porém, também ajuda empresas estrangeiras, inclusive de tamanho médio, a estabelecer relações com cientistas e laboratórios russos, onde o resultado é uma colaboração continuada supervisionada ou a compra de P&D sob contrato. Esta empresa arca com a responsabilidade não só de colocar parceiros potenciais em contato, mas de representar os interesses da empresa estrangeira no complexo mundo legal-burocrático russo, e assegurar a entrega dos serviços ou produtos contratados. Essa empresa agora tem escritórios nos Estados Unidos e na China e representa interesses russos num parque de alta tecnologia estabelecido na China. Mantém um escritório para fazer contatos, juntar parceiros e ajudar a criar joint ventures. Uma das formas de remuneração é a participação acionária nas joint ventures estabelecidas. Já apareceram oportunidades de investimento que a empresa não pôde aproveitar por falta de recursos financeiros – seu principal ativo é seu conhecimento íntimo do mundo de P&D na Rússia e outros países da ex-URSS. Falta uma parceria financeira. Este modelo russo poderia servir o Brasil de três maneiras. Primeiro, é possível que empresas brasileiras se tornem clientes da empresa russa para contratar serviços científicos de alta qualidade. Segundo, se poderia estabelecer um escritório da empresa no Brasil, em colaboração com uma empresa brasileira para facilitar o comércio high-tec (de bens e de serviços) e financiar joint ventures russo-brasileiras. Terceiro, uma empresa análoga poderia ser criada no Brasil para exercer funções semelhantes para cientistas e laboratórios brasileiros, permitindo-lhes vender seus serviços no mercado mundial sem sair do país. O Brasil e a Rússia são países de tamanho continental. Têm grandes áreas com população relativamente escassa e dispersa, muitos recursos naturais e comunidades científicas significantes. Ambos procuram novas maneiras de inserção na economia global, onde grandes blocos econômicos estão se formando. A relação de ambos países com estes blocos ainda não está definida. Vale a pena refletir um pouco sobre este modelo russo. Ele poderia ser aproveitado pelo Brasil como parte de sua estratégia de desenvolvimento científico-comercial no início do século 21. Poderia ser um bom investimento.
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