Facilitar, Não AtrapalharPeter T. Knight Artigo publicado na revista, Banco Hoje No. 157 (abril de 2002), p. 24. "Criar dificuldades para vender facilidades" é uma expressão do que há de ruim na tradição burocrática brasileira. Esta tradição faz parte do "custo Brasil" pago por quem vive e faz negócios aqui. É um reflexo do estado cartorial ultrapassado, de funcionários desmoralizados, desmotivados, infravalorizados e mal pagos, vivendo em simbiose com uma legião de despachantes. O governo eletrônico vem para facilitar, não atrapalhar a vida dos cidadãos e das empresas. Proporciona transparência, agilidade, serviço personalizado e rápido sem filas e, em princípio, sem passar de uma agência à outra. Como você pode fazer transações bancárias de qualquer lugar no mundo onde tem conexão à Internet, você e sua empresa podem cada vez mais fazer transações de informação e de dinheiro com os seus governos na Internet. A tecnologia está ali. As principais barreiras são de segurança, de acesso e de reforma administrativa. Sem segurança, o cidadão e a empresa relutam em transacionar dados confidenciais e dinheiro. O governo eletrônico fica na primeira fase, a de distribuir informação não confidencial. Com a segurança na rede vêm as transações. Sem acesso amplo à Internet, o governo eletrônico fica como privilégio dos abastados. Então é necessário baratear o custo da conectividade individual e coletivizar o acesso porque o preço de acesso individual ainda é obstáculo. O governo eletrônico traz no seu bojo a reforma administrativa, e vice versa. Um novo interface, seguro e interativo, individualiza e facilita as relações com o governo do cidadão (G2C) e da empresa (G2B). Mas também permite simplificar as transações dentro da esfera governamental (G2G). Leva à eliminação de duplicação de atividades, facilita as transações de recursos financeiros e informações entre as diferentes instâncias da federação (verticalmente entre municípios, estados e o governo federal; horizontalmente entre municípios, estados e diferentes agências de cada nível de governo). Tudo isto permite servir melhor o cidadão e a empresa. Também elimina oportunidades de corrupção. O cidadão ou a empresa encontra um interface eletrônico adaptado a suas necessidades e não à estrutura burocrática. Nascimento de um filho, criação de uma nova empresa, compra de uma casa, mudança do endereço, matrimonio, morte, pagamento de impostos, registro de queixas etc. Pouco importa ao cidadão ou à empresa qual a agência e o nível governamental (muitas vezes múltiplos) envolvidos. Quer resolver seu problema o mais rápido possível, ao menor custo em tempo, agravação e dinheiro. Os sites governamentais modernos se organizam assim. Veja www.firstgov.gov (Estados Unidos), www.ukonline.gov.uk (Reino Unido) e www.ecitizen.gov.sg (Cingapura). O Brasil é um líder dentro dos grandes países emergentes veja www.redegoverno.gov.br. Mas no Brasil os portais governamentais ainda se organizam mais em função da estrutura do estado do que em relação às necessidades do cidadão e da empresa. Vamos chegar lá facilitar e não atrapalhar.
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