Inclusão digitalPeter T. Knight Artigo publicado na revista, Banco Hoje No. 161 (agosto de 2002). Realizar o potencial econômico-social da revolução digital no Brasil exige confrontar o desafio E-learning, e-saúde, e-governo, e-comércio todos têm muito a ver com a competitividade dos trabalhadores, das empresas e da nação na economia do conhecimento deste novo século. Com pelo menos 90 porcento da população brasileira sem nenhum acesso à Internet temos um problema sério. Este problema é reconhecido pelos governos federal, a maioria dos estaduais e crescentemente pelos municipais. A ação governamental pode ser suplementada por parcerias com o setor privado e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos. O avanço tecnológico e a concorrência entre empresas são duas forças que barateiam os custos da conectividade e do equipamento necessários para acessar a Internet. Mas a luta pela inclusão digital vai depender muito da coletivização do acesso à rede para as grandes maiorias. Dois modelos interessantes de acesso coletivo estão sendo desenvolvidos hoje com o apoio respectivo do Estado de São Paulo e da Prefeitura da Cidade de São Paulo (Acesso São Paulo www.acessasaopaulo.sp.gov.br) e (Plano de Inclusão Digital PDI portal.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/inclusaodigital/), respectivamente. Os dois programas envolvem a combinação de cursos de alfabetização digital e acesso grátis a computadores com conexões de banda larga à Internet e a ajuda de pessoal treinado (monitores). No caso do estado, há três diferentes tipos de espaços: Infocentros Comunitários situados em centros comunitários que devem também criar contéudo e, eventualmente, cuidar destes Infocentros; Pontos de Acesso Público à Internet (POPAIs), instalados em locais de grande fluxo de pessoas, como estações de metrô e unidades de Poupatempo, oferecendo múltiplos serviços governamentais num só lugar; e Infocentros Municipais, a serem instalados em bibliotecas municipais mediante convênios com as prefeituras. No início de junho havia uns 50 Infocentros Comunitários na área metropolitana de São Paulo, 2 POPAIs em 2 Poupatempos e um Infocentro Municipal no interior. Existem parcerias com a Microsoft para software, a Telefônica para conectividade e com a Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo para pesquisa e educação a distância. O objetivo do Acesso São Paulo é elevar a taxa de acesso à Internet da população das classes D e E maiores de 11 anos de 2% no início de 2002 para 50% em dois anos. O PDI da Prefeitura tinha 19 "Telecentros" localizados principalmente em comunidades pobres, cada um com 20 computadores (geralmente doados por empresas) e dois monitores. A meta é de 1 000 Telecentros até 2004. O plano é usar o sistema operacional Linux e outras ferramentas de movimento de software grátis. No fim de maio havia cerca de 63 000 usuários cadastrados. Os objetivos, tanto do Estado como da
Prefeitura, vão bem além do acesso e instrução. Pretendem fortalecer a
capacidade dos novos incluídos digitais para melhorar sua vida e influir nos
seus governos.
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