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Inclusão
Digital via Satélite
Artigo publicado na revista, Banco
Hoje,
Março de 2004, pp. 32-33
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Especial
Peter T. Knight |
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Dos 5.561
municípios brasileiros, somente uns 20 por cento tem provedores comerciais
de Internet. Para áreas remotas, como a
Amazônia, grandes partes do centro-oeste, o sertão nordestino e muitas áreas
rurais do Brasil e até algumas áreas urbanas, a Internet de banda larga
(permitindo a transmissão em duas vias de imagens, voz e dados) tem que
chegar via satélite. É uma tecnologia comprovada. Já funciona no Brasil em
outros países latino-americanos como México e Peru.
São dois os
fatores que determinam sua viabilidade econômica para o usuário: o preço da
conectividade na ponta de recepção (estação terrestre VSAT- Very Small
Aperture Terminal – quer dizer antena parabólica e aparelhos ligados que
permitem a transmissão ao satélite de um fluxo de zeros e uns em sistema do
Protocolo Internet e a recepção de um fluxo geralmente maior, isto é
assimétrico) e a possibilidade de compartilhar a conectividade agora
terrestre entre múltiplos usuários.
Este
segundo fator por sua vez depende de outros quatro: o acesso à estação
terrestre mestre (hub) via satélite e a potência do satélite (seus
transponders), a capacidade técnica deste hub para lidar com
grandes números de usuários nas áreas remotas e com múltiplas agéncias
governamentais, empresas e/ou ONGs que querem oferecer ou vender serviços
nas áreas remotas, o preço dos equipamentos (VSATs e hub) e talvez o mais
importante de todos, a vontade política de organizar estas agências,
empresas e/ou ONGS para o uso dos recursos técnicos críticos: VSATs,
transponders de satélite, hub e a conectividade da hub à
espinha dorsal (backbone) da Internet, normalmente via um NAP (network
access point) situado num nó de fibras óticas.
Consideramos dois serviços existentes no Brasil (um comercial e um
governamental) e serviços governamentais no México (sistema e-Mexico de
Centros Comunitários Digitais) e no Peru (Programa Huascarán do Ministério
de Educação daquele país). Os sistemas mexicano e peruano têm acesso grátis
a seus respectivos satélites, e no Peru à fibra ótica submarina. Os quatro
sistemas estão funcionando em fevereiro de 2004. A seguir extraímos algumas
lições para formadores de políticas públicas, agências governamentais e
empresas privadas interessadas na redução da exclusão digital. As principais
características de estas soluções são resumidas na tabela que segue.
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País |
Satélites |
Agências
ou Empresas participantes |
Terminais VSAT conectados |
Operador
da Estação Terrestre Central (hub) |
Banda
disponível na VSAT e custo ou preço |
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Brasil |
NewSkies
em 2 satélites com
cobertura sul-americana, banda Ku.
Está
previsto um novo satélite Star One C, na banda Ku, com lançamento
previsto em 2006. |
Star One
EasyBand, vários provedores de serviços Internet (e.g. UOL, Terra,
SuperIg). Serviço comercial disponível no mercado. Usado em alguns
projetos de inclusão digital desenvolvidos por ONGs como Comitê para
Democratização da Informática (CDI). |
5700,
via serviço comercial
Star One
Easy Band vendido a través de vários provedores de serviços Internet . |
Star One
(joint venture Embratel-SES/Astra) com equipamento e apoio técnico de
Gilat do Brasil (subsidiária de Gilat Satellite Networks, empresa
israelense). Hub localizado em Guaratiba, RJ |
Vários
planos com 1-17 computadores compartilhando uma antena, e redes
corporativas mais complexas. VSAT e equipamentos associados de R$ 900
até 4300 instalados, dependendo do tamanho de antena necessário, serviço
de R$300 a $1310 por mês, dependendo do número de computadores por VSAT
e velocidade (1 a 14 computadores, 100/40 até 300/40 kbps “tipico”
descida/ subida) |
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Brasil |
Anik F1,
Banda Ku, beam para América do Sul, da empresa canadense Telesat. |
Governo
Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão
(GESAC).
Para execução do GESAC, quatro ministérios têm buscado sinergias de
esforços, articulando políticas: o Ministério das Comunicações (MC), o
Ministério da Defesa (MD), o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério
Extraordinário da Segurança Alimentar (MESA)
. Existem parcerias com ONGs como Viva Rio |
Meta:
3200 escolas, centros comunitários em áreas remotas de todos os 26
estados do Brasil, até 02/04. Esta meta deve ser alcançada até meados
de março de 2004 |
Centro
Gerencial e estação terrestre central em Belo Horizonte, operado por
Gilat do Brasil, empresa contratada pelo GESAC/MC
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Custo de
R$1108 ponto por mês, baseado no orçamento de R$78 milhões para 22
meses, 3200 pontos. Serviço gratuito ao público. 256 kbps, e algo menor
(não especificado) de subida. |
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México |
Galaxy
III-C
Banda Ku, Horizontal Beam, capacidade doada pela PanamSat |
Sistema
e-México:convênios com as Secretarias de Transportes e Telecomunicações,
Educação Pública, Desenvolvimento Social, Saúde; Instituto Nacional de
Educação de Adultos, Instituto Nacional para o Federalismo e o
Desenvolvimento Municipal |
3.200
Centros Comunitários Digitais (CCDs) com 2-20 computadores em LAN cada um
em 2003, média de 11 computadores por CCD. Estáo previstos 4.000 até
6.000 novos CCDs a serem licitados durante o ano 2004, e um total de
10.000 CCDs até 2006. |
InterDirec (Provedor de Serviços Internet) e Viasat (equipamentos), hub
na Cidade de México, antena de 9 metros de diâmetro. Estas empresas
ganharam uma licitação.
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Custo
por CCD do serviço é R$135 por mês (não paga o segmento espacial nem o
custo da antena VSAT nem sua instalação) que paga o custo corrente para
256/128 kbps descida/subida e manutenção da rede.
satélital.
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Peru |
PanamSat
1 R, banda Ku, transponder doado pela PamamSat, conectividade à Internet
no NAP Peru via fibra ótica submarina DS3 (45mbps) a Miami doada pela
Global Crossing |
Ministério da Educação, Convênio Ministério de Transportes e
Comunicações |
40
escolas em fevereiro de 2004, até 5000 escolas no ano 2004
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Ministério da Educação, equipamento Hughes DirectWay, Estação terrestre
central no Ministério de Educação |
Custo
não conhecido. Capacidade de Video MPEG 2 e dados descendo, dados
subindo, assimétrica, bem menor |
É difícil
comparar os custos olhando os dados na última coluna da tabela. Primeiro, a
banda disponível varia (tanto subida como descida). O custo do GESAC inclui
o custo de software (reduzido, porque é software livre), suporte e saída
para a Internet em banda larga (54 mbps de saída à espinha dorsal da
Internet brasileira). O custo mensal por CCD do sistema e-México é reduzido
pela doação do segmento espacial pela PanamSat e o fato de que o governo
mexicano contribuiu US$2.800 por cada VSAT instalada nos CCDs, o que reduz o
custo do serviço que cobre somente o custo de acesso à Internet, manutenção
dos terminais e a operação da rede satelital.
No
Peru ainda não conhecemos todos os custos – tenho uma estimativa de US$1.5
milhão para o hub e US$4.500 por VSAT instalado para os investimentos em
equipamento, o que parece bastante alto, mas tanto o segmento espacial como
a conexão entre o NAP Peru e o NAP em Miami é doada.
Mas o preço
do serviço comercial da Star One EasyBand no Brasil dá uma idéia de quanto
custa dar várias qualidades de serviço, claro, incluindo o lucro de Star One
e os provedores de Internet através dos quais a Star One comercializa o
serviço num mercado competitivo. Estes preços da EasyBand são puramente
para a conectividade (incluindo o custo de instalação e capital da estação
VSAT) e nada para outros componentes de um telecentro, como computadores,
servidores, software, manutenção, etc. Mas considerando o serviço “Premium”
com até 14 computadores compartilhando a conexão e largura de banda de
300/40 kbps (descida/subida) estamos com preços assimiláveis: R$4.300 para
antena e equipamento associado e custos mensais de R$1.300, que seriam de
R$397 de capital R$93 mensais por computador num telecentro com 14
computadores.
Os custos
do programa Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão (GESAC)
do Ministério de Comunicações são estimados em R$1.108 por mês por ponto
VSAT, que inclui todo o suporte, um serviço 0-800 para os usuários, a saída
para Internet em banda larga (54 mbps de banda de saída à espinha dorsal da
Internet brasileira) e serviços softwares. Supondo somente 10 computadores
por telecentro (a média projetada pelo GESAC), o custo é em torno de R$111
por computador por mês, de novo, bastante assimilável mesmo se fosse pago
com uma taxa de R$1.00 por hora de uso – paga pelo usuário ou por uma
prefeitura, outra agência governamental ou ONG. O Ministério de Comunicações
já tem convênios com vários outros ministérios e com ONGs. Quanto mais
agências governamentais participarem, quanto mais pontos no sistema,
melhores as condições de compra de serviços de conectividade, hardware e
software para os telecentros – o poder de barganha do governo aumenta quando
a compra é maior.
Realmente,
usando satélites “a morte da distância” vira uma realidade em todo o
território nacional, e na realidade, no mundo todo. Com organização e
vontade política, o uso de software livre e a concentração do poder de
compra do governo, a inclusão digital pode ser um poderoso instrumento de
inclusão social, econômica e política, como o autor e outros advogam no
livro e-gov.br – a próxima revolução brasileira (veja
www.tedbr.com/projetos/e-dem.br/e-dem.br.htm) publicado pela Financial
Times Prentice Hall (São Paulo, janeiro de 2004).
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