A justiça
tarda muito no Brasil – e às vezes não chega nunca. Justiça que tarda ou não
chega é parte do custo Brasil, que reduz a competitividade dos produtos e
serviços brasileiros, e, pior, corrói a credibilidade do governo frente aos
cidadãos, levando ao cinismo e a sistemas paralelos de justiça “informal”.
Mas há exemplos no Brasil de eficiência e rapidez relativa no sistema
judicial – a e-justiça vem aí.
Veja o
exemplo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, relatado por seu
Diretor de Informática, Eduardo Arruda, no Capítulo 7.3 do livro e-gov.br
– a próxima revolução brasileira publicado este ano pela Financial Times
Prentice Hall de São Paulo (veja
www.tedbr.com/projetos/e-dem.br/e-dem.br.htm). A seguir, resumimos os
destaques, atualizados até maio de 2004.
No Rio Grande
do Sul a partir da segunda metade da década de 90 se percebeu que a
informática representava mais do que um simples avanço para magistrados e
servidores. Era uma oportunidade para tornar a justiça mais rápida e
transparente ao cidadão. Em 1998 a Tribunal de Justiça criou um Departamento
de Informática, responsável por determinar os novos rumos da prestação
jurisdicional. Em 1999 estabeleceu-se uma arquitetura informática chamada
Themis, e em 2000 foram implantados dois projetos-piloto que serviram para
validar as premissas iniciais atrás da Themis e delinear novos objetivos.
Entre estes, os principais diziam respeito à reforma administrativa,
propondo alterações em procedimentos internos e sua racionalização pela
informatização. Paralelamente à implantação de projetos-piloto, foram
realizados investimentos na criação da infra-estrutura necessária à condução
do projeto de informatização.
A partir de
2002 iniciou-se, em parceira com a Companhia Estadual de Processamento de
Dados (PROCERGS), a construção da Rede Justiça, interligando todas as
comarcas do estado até o fim de 2003. Agora o sistema Themis de 1º Grau é um
completo sistema de informatização do andamento de processos judiciais,
abrangendo o cadastro e distribuição dos processos, cálculo de custas
judiciais, procedimentos cartorários e automação de gabinetes. A partir de
2004 passou a contar com módulos de controle de execuções criminais, sessões
de julgamento e juizados da infância e juventude.
Foram
implantados dois projetos-piloto do “processo virtual”, sendo que a primeira
audiência totalmente informatizada ocorreu em 03/12/2002, totalmente
aprovada, tanto dos magistrados e advogados, como pelas partes, que vêem
suas demandas judiciais atendidas de maneira mais simples e, por
conseguinte, mais ágil.
Os próximos
passos na evolução deste projeto incluíram, além da certificação digital, a
criação de “malote digital” permitindo a remessa do “processo virtual” para
julgamento nas Turmas Recursais, quando não houver acordo entre as partes.
No entanto, mesmo sem o “malote digital”, a adoção destes procedimentos
reduz em até 30% o volume de papéis. Outras melhorias incluem o recebimento
de petições e o acesso ao “processo virtual” via Internet. Os resultados do
projeto-piloto estão balizando a introdução do "processo virtual" na
tramitação dos processos na 1ª e na 2ª instâncias no Poder Judiciário do Rio
Grande do Sul, reduzindo a burocracia, otimizando fluxos de trabalho e
abreviando o tempo transcorrido entre o recebimento da petição inicial e o
julgamento do processo, além de reduzir sensivelmente os custos com a
impressão de documentos e o arquivamento de processos.
A partir de 2003 se
iniciou o projeto de e-jurisprudência. Agora, o acórdão, quer dizer o
resultado final de um processo de jurisprudência cristalizando a decisão de
um processo judicial em 2ª instância, passou a ser assinado digitalmente,
permitindo sua imediata publicação na InternetAntes da implantação do
projeto de e-Jurisprudência, a publicação de um acórdão podia demorar até 3
meses. Com a introdução da assinatura digital dos acórdãos e a edição
totalmente digital do Diário Oficial da Justiça, o acórdão é publicado
imediatamente após a sessão de julgamento, trazendo uma maior eficiência e
maior transparência. Agora a justiça no Rio Grande do Sul chega e não tarda.