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Piraí Município Digital

Artigo publicado na revista, Banco Hoje,  junho de 2004, p. 38. 

COLUNISTAS Peter T. Knight

O município de Piraí, no estado de Rio de Janeiro, vem ganhando atenção merecida no nível nacional e internacional. É um município que sabe tirar proveito da revolução digital e pode servir de exemplo para outros municípios, estados e países.

Três coisas chamam nossa atenção neste pequeno município de 22.500 habitantes: a liderança exercida por seu Prefeito, Luiz Fernando Pezão, e sua equipe, atraindo e consolidando uma ampla gama de parcerias com universidades, empresas privadas, ONGs e o Estado do Rio de Janeiro para fazer de Piraí um município digital exemplar; as políticas públicas adotadas pelo município; e as realizações concretas do município com o apoio destas parcerias. Vamos resumir.

O catalizador da transformação de Piraí em muncípio digital foi a perda de 1.200 empregos na privatização da Light, maior empregador no município, em meados da década de 90. Com a liderança do Prefeito e uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), Piraí deu a volta por cima, criando em quatro anos o número de empregos perdidos. O projeto de desenvolvimento local premiado pela FGV/SP incorporou uma dimensão de inclusão sócio-digital com quatro componentes: .gov, .org, .edu e .com. O Piraí Digital assumiu “a visão estratégica de uma sociedade de informação local,  lugar onde o cidadão se torna o principal ator na produção, gestão e usufruto dos benefícios de novas tecnologias de informação e comunicação” (veja a apresentação do projeto em http://www.pirai.rj.gov.br/projeto/piraidigital/show_arquivos/frame.html). Para por em prática estes princípios gerais se mobilizaram mais parcerias – com o Estado de Rio de Janeiro (FAPERJ, CEDERJ [consórcio de seis universidades públicas para ensino a distância], RedeRio), empresas privadas como Cintra, Taho, Telemar; o BNDES, e ONGs como Viva Rio e a Fundação Euclides da Cunha).

Como políticas públicas adotadas se pode mencionar o uso de software livre pela Prefeitura na administração pública, escolas e telecentros; uma política de inclusão digital e empresarial baseada nas mais avançadas tecnologias de redes híbridas (sem fio e cabeada) de banda larga; informatização das escolas da rede pública, bibliotecas, APAE e Centros de Estudos Municipais (para tal foi chancelada pela UNESCO); informatização dos postos de saúde; e criação de um polo do CEDERJ para ensino universitário e capacitação de professores.

No dia 6 de fevereiro de 2004 se inaugurou a rede SHSW (Sistema Híbrido com Suporte Wireless) com uma videoconferência sobre a rede vinculando Piraí e vários distritos do município. Já fizeram cursos de Linux para o pessoal da administração pública e professores, fazendo uso de laboratórios de informática nas escolas públicas, que também servem de telecentros fora do horário escolar. O pólo CEDERJ já tem centenas de estudantes universitarios do município sendo formados, e sua área física vai ser duplicada com aporte dos recursos municipais. A maioria de escolas do município já está informatizada e ligada à Internet. Existem dois quiosques públicos de acesso à Internet (na rodoviária e na biblioteca da santanézia) e um número crescente de empresas e domicílios no município estão acessando a Internet de banda larga usando a mesma rede SHSW, com uma empresa privada do municípo servindo de proveedor. Assim, Piraí já está trilhando os caminhos da revolução digital.

Piraí ganhou em 2001 o Prêmio Gestão Pública e Cidadania da Fundação Ford e FGV-SP; foi representado na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação em Genebra em dezembro de 2003; foi vencedor do Prêmio Cidades Digitais Latino-americanas, categoria Cidades de Pequeno Porte, conferido pelo Instituto para a Conectividade nas Américas e pela Associação Hispano-americana de Centros de Investigação e Empresas de Telecomunicações, recebendo o prêmio em  Bogotá, Colômbia em 10 de junho de 2004 pelas mãos do Presidente daquele país. Foi escolhido pelos autores do livro e-gov.br – a próxima revolução brasileira (São Paulo: Financial Times Prentice Hall, 2004) para receber direitos autorais provenientes da venda do livro, porque exemplifica os princípios advogados no livro (veja www.tedbr.com/projetos/e-dem.br/e-dem.br.htm e http://www.tedbr.com/projetos/piraidigital/piraidigital.htm).

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