COLUNISTAS
Peter T. Knight
A falta de segurança pública tornou-se um problema social e economicamente
devastador no Brasil, em especial nas grandes cidades. O problema é dos mais
complexos, envolvendo o tráfico de drogas ilícitas, a falta de empregos
legais para a população das favelas, a demanda crescente por tais drogas
tanto no Brasil como no exterior, a facilidade com que as drogas e as armas
passam pelas fronteiras, a falta de integração das diversas polícias
existentes no Brasil e a baixa tecnologia usada por muitas destas polícias
na prevenção e repressão de crimes.
Os cidadãos e políticos preocupados com a criminalidade e
a violência que assolam muitas cidades brasileiras devem estudar a
experiência de Pernambuco. Este estado tem logrado um grande sucesso, tanto
na organização das polícias como no uso de avançadas tecnologias de
e-segurança, especialmente em Recife mas também em todo o estado.
Em 1999, o Governo do Estado de Pernambuco decidiu
investir em um projeto chamado CIODS (Centro Integrado de Operações da
Secretaria de Defesa Social de Pernambuco). Para iniciar o projeto, criou um
grupo de 71 profissionais, entre policiais e técnicos de 11 instituições,
para estudar soluções de tecnologia empregadas pelas polícias do Brasil e do
mundo. Com o relatório apresentado em janeiro de 2000, iniciou-se um
processo de reformas organizacionais e investimento em alta tecnologia que
conseguiram baixar dramaticamente os índices de criminalidade e aumentar a
sensação de segurança do público. As principais ações tomadas foram:
1. reunir o atendimento ao cidadão (190, Polícia Militar;
193, Bombeiros e 147, Polícia Civil) em um único centro de comando altamente
informatizado;
2. unificar o banco de dados de segurança pública a
partir de registros da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica,
usando um novo Boletim de Ocorrência Único e Integrado eletrônico que
permite uma melhor qualificação da informação, descrevendo detalhadamente
desde o acusado e a natureza do delito até as características da vítima;
3. aplicar tecnologias, como mapeamento eletrônico geo-referenciado de crimes, combinado com acesso ao banco de dados unificado
e análises eletrônicas, e disseminar as informações resultantes para os
policiais por meio de telefones celulares, handhelds e computadores nos
carros de patrulha, entre outros dispositivos; e
4. fortalecer e melhor articular os órgãos e autoridades
específicas nas áreas de justiça e segurança pública, unificando, por
exemplo, as zonas físicas cobertas pela Polícia Militar e Polícia Civil e
investindo fortemente em treinamento, tecnologias de informação e
comunicação e novas viaturas policiais que podem acessar o centro de comando
e banco de dados até por satélite.
Hoje o atendimento ao cidadão é mais rápido e eficiente.
Qualquer um pode discar 190 em Pernambuco. Antes da implementação do sistema
integrado de atendimento, uma pessoa esperava em média 12 minutos para ser
atendido. Hoje, o atendimento é praticamente instantâneo. O Boletim de
Ocorrência Integrado permite que uma pessoa registre queixa de um carro
roubado em qualquer posto da Polícia Militar, Civil ou Rodoviária,
diminuindo o tempo de comunicação do delito, possibilitando a recuperação do
mesmo de forma mais rápida, otimizando a eficiência policial. O sistema de
mapeamento e análise eletrônica de crimes facilita a prevenção: a polícia
pode planejar ações mais cirúrgicas para reduzir focos de crime. Um sistema
de video-monitoramento foi implementado na Avenida Boa Viagem em Recife a
partir de fevereiro de 2003. Em janeiro daquele ano, a Secretaria registrou
162 ocorrências de roubo na via. Em dezembro, elas somavam apenas 20, uma
redução de 86%.
A descrição acima apresenta em uma forma extremamente
sintética, informações de dois documentos: “TI na Inteligência Policial e
CIODS-Centro Integrado de Operações de Defesa Social de Pernambuco”, por
Carlos Alexandre Dias Perez e Roberto do Rego Barros Carício (ambos da
Empresa de Fomento da Informática no Estado de Pernambuco (FISEPE), trabalho
apresentado no Congresso de Informática Pública (CONIP 2004) e “e-Segurança
Pública: A experiência de Pernambuco”, por José Vicente da Silva Filho
(Pesquisador do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial) e Carlos
Alexandre Dias Perez, capítulo 7.1 no livro e-gov.br a próxima revolução
brasileira (São Paulo: Financial Times Prentice Hall, 2004) pp 179-184 (veja
www.tedbr.com/projetos/e-dem.br/e.dem.br.htm).