COLUNISTAS
Peter T. Knight
A partir do
dia 3 de janeiro, a memória de Juscelino Kubitschek vai estar mais presente
do que nunca na consciência nacional graças à nova minissérie da Globo, JK.
Ele foi um dos presidentes mais dinâmicos do Brasil. Sua visão de um país
moderno e democrático e seu entusiasmo pelo desenvolvimento empolgaram a
população, mobilizaram setores dinâmicos da economia e transformaram o país.
JK tinha pressa. Enfrentou e venceu obstáculos. A implantação da indústria
automobilística, o fortalecimento da rede energética, a construção de uma
rede viária nacional e a mudança da capital do Rio de Janeiro para uma nova
cidade no coração do país eram partes importantes na visão dele.
JK e suas
políticas desenvolvimentistas também deixaram seqüelas macroeconômicas nada
desejáveis, mas a tendência é esquecer isto e lembrar a pessoa visionária, o
fundador de Brasília.
Atualmente
o Brasil não possui uma visão unificadora dos seus objetivos para o
desenvolvimento. O Brasil padece de problemas sociais arraigados nas
acentuadas desigualdades de distribuição de renda, no acesso à saúde e
educação, que reduzem a competitividade econômica, ameaçam a coesão social e
minam a segurança pública. As profundas desigualdades sociais e econômicas
do país apenas começam a ser tratadas e a sua resolução é crucial para
realizar o potencial econômico brasileiro e assegurar a estabilidade
política.
Existe a
necessidade de uma nova visão para o desenvolvimento, com um poder
mobilizador semelhante ao do slogan “50 anos em 5” da campanha e do Programa
de Metas de JK na década de 50.
Quem será o
presidente do Brasil em 2007? Ainda não sabemos. Sabemos porém, que as
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) podem ser os instrumentos
chaves para atacar o problema social, unificar o país, reduzir o custo
Brasil, melhorar a segurança pública e aumentar a competitividade do país.
Para isto estamos criando o projeto e-Brasil.
Queremos
estradas digitais públicas para as regiões onde a fibra ótica não chega e
para a população carente que agora não tem acesso à Internet, ao governo
eletrônico, aos mercados mundiais, à educação eletrônica permanente, ao
acervo mundial de conhecimentos. Para isto em 2004 a ANATEL propôs um
Serviço de Comunicações Digitais (SCD) a ser financiado pelo Fundo de
Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST). Até hoje a SCD não
saiu do papel.
Existiam
recursos já arrecadados para construir as estradas digitais – cerca de R$ 4
bilhões já entraram no FUST, mas parece que foram para fazer superávit
primário. O Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão prevê uma
arrecadação no ano 2006 de mais R$ 664 milhões. O Ministro Ubiratan Aguiar,
Relator do Tribunal de Contas da União (TCU) declarou em 07/12/05 que “... a
principal causa da ausência de aplicação desses recursos até o momento foi a
incapacidade do governo, principalmente do Ministério das Comunicações, em
definir, de forma adequada, as políticas, diretrizes gerais e prioridades
para a utilização desses recursos, conforme exige o art. 2º da Lei nº
9.998/2000.” (Veja AcórdãoTCU-010.889/2005.) Os Ministros do TCU decidiram
uma série de medidas para remediar esta situação, mas parece que será do
próximo governo a construção das estradas digitais. e a implementação de um
programa nacional de inclusão digital.
Existem
satélites brasileiros que permitem entregar a banda larga em todo o
território nacional – dos morros enfavelados até o mais remoto povoado da
Amazônia. Existem tecnologias sem fio como Wi-Max e Wi-Fi que permitem
distribuir a banda larga com um mínimo de infra-estrutura.
Existem
também experiências-piloto importantes que podem ser aproveitadas para criar
as estradas digitais – o programa GESAC do Ministério das Comunicações tem
3.200 pontos em regiões de baixo IDH do Brasil já conectados com banda larga
via satélite Amazonas. No Estado do Rio de Janeiro, alguns governos
municipais, o governo estadual, as empresas de TIC, universidades e ONGs
colaboram para construir cidades digitais, como Piraí, que agora se
multiplicam e aplicam várias tecnologias de acesso à Internet, fibra ótica,
via cabo coaxial, sem fio, via rede de energia elétrica (Powerline
Communication – PLC) e via satélite. Estes e outros programas inovativos e
audaciosos estão mostrando o caminho para o futuro.
Quem será
nosso JK no início do século 21 para tirar as lições das experiências de
sucesso no Brasil e no mundo (mas também podemos aprender com os fracassos)
e dar a liderança que o e-Brasil do futuro tanto precisa?
Realizar 50
anos de desenvolvimento em 5 com as TIC não precisa deixar seqüelas
macroeconômicas indesejáveis – o custo de processar, transmitir e armazenar
informação, conhecimento, e até sabedoria vem caindo vertiginosamente
durante meio século, e não tem fim à vista.