COLUNISTAS
Peter T. Knight
Quando a indústria automobilística fala, os governos escutam.
Quando as indústrias das tecnologias da informação e comunicação (TIC)
falam, é uma cacofonia ou pior, um despelote como dizem nossos amigos
espanhol-falantes.
Esta verdade foi lançado como um desafio pelo Luiz Serra, da
Cisco Systems num almoço em São Paulo em janeiro deste oferecido pela Banco
Hoje. Disse
“Uma vez escutei um comentário interessante num dos eventos
de telecomunicações dizendo que a indústria automobilística tem uma força
política muito maior do que a indústria de telecomunicações no Brasil porque
basicamente existe uma única grande organização que representa a indústria
automobilística que é a ANFAVEA Entretanto a indústria de tecnologia de
informação tem mais de 20.
Acredito que esta multiplicidade de associações dificulta
muito o nosso trabalho na área de tecnologia. Há muitas pessoas com boas
idéias, mas sem peso político. Deve ser feito um grande movimento de união
entre as várias associações e realmente chegar aos diferentes candidatos à
presidência da República e aos governos de estado com uma plataforma mínima
que todos aceitem como consenso."
Vários outros participantes no almoço martelaram neste tema.
José Vicente da Silva Filho, pesquisador do Instituto Fernand Braudel e
ex-Secretário Nacional de Segurança Pública disse:
“Acredito que falta comunicação das empresas, das
instituições, das universidades para mostrar ao governo o que é possível se
obter através dessa tecnologia. Percebemos que o problema não é tanto a
questão do dinheiro. O problema é realmente mostrar o que existe na
prateleira de tecnologias úteis.”
E Múcio Dória, Assessor Especial do Governo do Estado de São
Paulo, rematou:
“Somos 50 associações que não conversam entre si. Fui pra o
governo do Estado e a atribuição dada a mim foi na área de informática.
Pensei em trazer as associações para dentro, para que elas me ajudassem a
fazer uma política industrial para o governo do Estado de São Paulo na área
de software, hardware e etc. Foi criada a Câmara de Tecnologia da Informação
do Estado de São Paulo. A minha idéia era primeiro colocar poucas
associações, as que conheciam a princípio, e depois (agora é o momento)
crescer isso e começar a trazer mais associações para formar um grande
fórum. Precisamos fazer um movimento com as associações, criar um organismo
forte. Mesmo lá tendo a Câmara vejo que os assuntos não chegam através
dela, mas através dos indivíduos.”
Pensei muito nestes comentários, no meu papel de coordenador
do projeto e-Brasil (veja
www.e-brasilproject.net). Lembrei
as palvaras de Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”,
consultei o Conselho Consultivo do projeto e decidimos não só criar um novo
site para nosso projeto, mas lançar o Portal e-Brasil como o “Brazil
Country Gateway” dentro da constelação da Development Gateway Foundation
(veja
www.developmentgateway.org) como uma janela sobre
tudo que é “e” no Brasil.
Acreditamos que o Portal e-Brasil pode jogar um papel
importante em reunir num projeto comum os diversos segmentos da comunidade
TIC no Brasil que reconhecem as oportunidades que as TIC oferecem para
acelerar o desenvolvimento socioeconômico no Brasil, para fazer 50 anos em 5
neste início do século 21. Como?
Dentro deste Portal e-Brasil teremos um sub-portal do próprio
projeto e-Brasil e muito mais. Um vitrine para mostrar melhores práticas e
inspirar novos projetos, um lugar de forums virtuais sobre temas
relacionadas com a visão do e-Brasil. Por exemplo, a Câmara Brasileiro de e-Comércio (www.camara-e.net),
cujo Diretor Executivo, Cid Torquato, participou no almoço, já ofereceu um
sub-portal para e-comércio. Esperamos atrair outros, por exemplo para
e-governos podemos ter sub-portais administrados pelo Instituto CONIP (www.conip.com.br);
para as entidades estaduais de TIC a Associação Brasileira de Entidades
Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP
www.abep.sp.gov.br/index.htm que já apoia
oficialmente o projeto e-Brasil); para a sociedade civil a Rede de
Informações para o Terceiro Setor (RITS
www.rits.org.br);
para e-educação a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED
www.abed.org.br)
e assim por diante.
Existem as diversas organizações mencionadas pelo Múcio e
pelo Serra. Os bancos também são grandes usuários das TIC a FEBRABAN
poderia ter um sub-portal. Já temos uma proposta sendo avaliada pela
Development Gateway Foundation entendemos que no início de abril deve ser
aprovada, más com a condição de que tenhamos patrocinadores brasileiros para
participar no portal e sustentá-lo financeiramente. O projeto e-Brasil já
tem uma conta no Banco do Brasil administrado pela Fundação Euclides da
Cunha da Universidade Federal Fluminense (veja
www.tedbr.com/projetos/e-Brasil/patrocinar.htm).
Precisamos de sua ajuda.
Não deixe esta peteca cair. A união faz a força.