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Plano de metas, mídia e eleições

Artigo publicado na revista, Banco Hoje,  abril de 2006, p 33. 

COLUNISTAS Peter T. Knight

Em 2000, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU para 2015 foram aceitos pelo Brasil e todos os países do mundo reunidos na ONU. São 8 metas que vão de cortar pela metade a pobreza extrema até deter a propagação do HIV/Aids e atingir o ensino básico universal – até 2015. Se contabilizarmos o período de um mandato presidencial, o ano de 2015 será o 1º ano de um novo governo. Portanto, o presidente que assumir o cargo nesta ocasião, será o responsável por anunciar se o Brasil cumpriu ou não com suas metas de desenvolvimento do milênio.

A revolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC) nos oferece ferramentas poderosas para abordar a centenária questão social brasileira e responder ao desafio atual de competir em uma economia globalizada e cada vez mais baseada no conhecimento. Com a sua utilização em larga escala é possível reduzir desigualdades socioeconômicas ameaçadoras, superar os ODM, educar permanentemente a força de trabalho brasileira e reduzir o custo Brasil.

Podemos ter 50 anos de progresso em 8, ou seja, dois mandatos. Mas para alcançar metas ambiciosas como estas é preciso que sejam realmente metas nacionais, partes de uma visão do futuro do País, compartilhada por brasileiras e brasileiros. E para isto é preciso liderança, sobretudo do Presidente do Brasil. É ele quem pode inspirar, motivar, empolgar o povo para realizar muito em pouco tempo, seguindo o exemplo de Juscelino Kubitschek. Esta afirmação ainda é mais real nos dias de hoje em que um presidente ou mesmo um candidato pode contar com a força da mídia eletrônica e impressa como aliados valiosos.

Em 2004, o número de domicílios brasileiros com televisão (90.3%) ultrapassou os que possuíam rádio (87.8%), segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE). Sem dúvida, a TV é o principal canal de comunicação com o povo brasileiro – uma vez que sua população lê pouco. Ainda assim, os jornais e revistas são importantes, especialmente para a formação de opinião das elites. Mas a TV é, sem sombra de dúvida, o meio de comunicação de maior alcance popular, com grande capacidade de mobilização. Quem quer vender um produto ou serviço sabe disso e paga muito para alcançar via TV atuais e potenciais clientes. Os partidos políticos também sabem que a TV é fundamental para divulgar seus candidatos, idéias, e programas, fazendo o horário gratuito concedido pelas redes de TV aos candidatos tão cobiçado. Mobilizando, inclusive, os partidos a investirem na TV com a compra de mais espaço, para além do gratuito.

As pesquisas de opinião pública indicam sempre os mesmos anseios e preocupações da população. Educação, segurança, saúde, emprego, que faltam para muitos, são necessidades básicas que o povo quer para suas famílias. Menos conhecido é o fato que as TIC podem oferecer novas e poderosas ferramentas para satisfazer estas necessidades.

Até que a população seja informada sobre a relação entre estas ferramentas e suas ambições pela melhoria da qualidade de vida, é pouco provável que as pesquisas de opinião pública detectem demandas por acesso à Internet (seja no domicílio, em um telecentro ou em outro ponto de acesso coletivo), por e-aprendizagem, e-segurança pública, e-saúde, e-emprego, e-governo, e-justiça, e-comércio, e outras tantas aplicações que podem reduzir o tempo e os recursos financeiros necessários para a mudança deste cenário.

Mas a mídia, acima de tudo a televisão, pode ajudar a informar o povo sobre estas possibilidades. Não somente os programas de notícias e shows como o Globo Repórter ou Fantástico podem ser inseridos neste processo informativo-educativo, como também as telenovelas, através de metodologias de educação pelo entretenimento como o merchandising social, onde personagens podem aparecer fazendo uso destas tecnologias para melhorar suas vidas e resolver seus problemas.

No Brasil, ainda existe um longo caminho a ser trilhado para que haja a compreensão do potencial que as TIC têm para atender às várias demandas da sociedade. É justamente nesta lacuna de informação que a mídia pode atuar, trazendo o assunto a tona, informando a opinião pública, tornando-o capaz de influenciar as pautas de programas e de políticas dos candidatos aos mais variados cargos públicos. Acreditamos, por fim, que a utilização estratégica da comunicação, cuja missão é tornar sentidos e conceitos comuns, pode vir a influenciar um avanço de 50 anos em 8. 

 

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