COLUNISTAS
Peter T. Knight
É grande a
frustração com o crime, com a corrupção, com as instituições políticas
carentes, com o sistema judicial lento e com a perda de oportunidades
econômicas para o país.
Entre as elites, ou mesmo na população em geral, não há
consenso em relação à estratégia de desenvolvimento.
Com eleições
presidenciais e estaduais marcadas para 2006, agora é o momento apropriado
para promover um debate nacional sobre como acelerar o desenvolvimento
social e econômico.
As
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) desempenham um papel
fundamental nas estratégias de desenvolvimento de alguns países e são
poderosas ferramentas para o aumento da competitividade na economia atual,
globalizada e orientada ao conhecimento. Como exemplos, temos Canadá,
Finlândia, Coréia e Cingapura.
As TICs não
são panacéias para todos os problemas do país, mas são ferramentas cada vez
mais poderosas para alcançar metas importantes – melhorar a governança
pública, conectar os cidadãos, aumentar a inclusão social, facilitar a
aprendizagem ao longo da vida, melhorar a saúde e a segurança públicas,
agilizar processos judiciais, criar indústrias de conhecimento competitivas
e reduzir dramaticamente os custos de transação em toda a economia.
No seu
editorial neste número de Banco Hoje, Carlos Alberto Wanderley diz que “os
profissionais da informática têm um papel importante nesta fase de
transformação da cena brasileira, pois seus instrumentos de trabalho
viabilizam a transparência e, portanto, favorecem os controles pela
sociedade dos atos políticos.” Sugere que as mais de 20 entidades que
congregam os diferentes segmentos da área tecnológica poderiam prestar um
serviço à sociedade “se elas se ‘linkassem’ para a formulação de um código
de ética de poucos pontos fazendo irradiar essa postura para a sociedade e
a área pública em todos os níveis.”
Assino em
baixo, mas é um convite que deve ser estendido a todas as organizações de
classe, associações profissionais, empresas, ONGs e quaisquer organizações.
Com um código desses, os candidatos que o aceitarem formalmente responderão
a um anseio profundo da sociedade e poderiam ser responsabilizados frente a
ela por qualquer lapso – independente e além da legislação eleitoral e do
sistema judicial lento e muitas vezes ineficaz. Neste caso seriam ONGs
especializadas em fiscalizar os candidatos e políticos eleitos e a mídia que
poderiam garantir que este código tenha eficácia.
O projeto
e-Brasil (www.e-brasilproject.net)
vai oferecer um novo Portal e-Brasil em que cada uma destas
organizações do setor das TICs serão bem-vindas a ter seu sub-portal junto
com o do projeto, para mostrar a elas mesmas e à sociedade nacional e
internacional o que elas têm para contribuir à construção de um Brasil mais
justo, eficiente e competitivo. Lá podem mostrar exemplos de melhores
práticas, conduzir fóruns eletrônicos, e até se conhecer melhor.
Talvez
conhecendo-se melhor, estas organizações poderão no futuro coordenar ações
para poder falar com mais força aos governos e ao público, sugerindo
políticas públicas novas para que o potencial enorme das TICs para construir
um Brasil melhor seja realizado. Por exemplo, no futuro poderiam juntos
insistir que
-
para aumentar a concorrência, diminuir os preços pagos e
reduzir as oportunidades de corrupção nas compras públicas, o sistema de
compras eletrônicas mediante leilões inversos seja utilizado sem exceção
para bens e serviços homogêneos e que licitações eletrônicas e
transparentes sejam realizadas para outros bens e serviços mais
complexos
-
o Fundo de Universalização dos Serviços de
Telecomunicações (FUST) seja efetivado para fazer a inclusão digital de
toda a população do país e não para contribuir ao superávit primário
como vem sendo o caso;
-
a informatização e conexão à Internet de banda larga de
todas as escolas públicas do Brasil seja realizada;
-
seja implantado um programa abrangente de governo
eletrônico, eliminando, no período de quatro anos, TODAS as filas para
acesso a serviços públicos nos órgãos públicos federais;
-
a nota fiscal eletrônica seja criada e implantada para as
micro, pequenas e médias empresas, com incentivo à adoção pelas empresas
através de uma simplificação brutal nos impostos (imposto único);
São exemplos
aos quais poderíamos facilmente agregar outros.
Um decálogo de ética e transparência para políticos e outro
para constituir a base de um plano de metas para o e-Brasil merecem ser
debatidos.