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A comunidade das TIC

Artigo publicado na revista, Banco Hoje, junho de 2006, p. 35

COLUNISTAS Peter T. Knight

A união faz a força, e a comunidade das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no Brasil precisa se unir para exprimir–se com maior força junto aos governos e à sociedade. Quando a ANFAVEA fala, os governos escutam. Não há uma entidade que represente os diversos segmentos da comunidade das TIC como a ANFAVEA representa a indústria automotriz – identificamos no mínimo 32 organizações de classe e associações profissionais dos diversos segmentos do setor. Então quando falam, é uma cacofonia. Difícil de ser ouvida, entendida e respondida pelos governos, muito mais pela sociedade. E a sociedade brasileira tem muito a ganhar com um uso mais intensivo das TIC – temos aqui um problema de comunicação. Como resolvê-lo?

Um primeiro passo para frente possa ter sido a discussão, transcrita neste número da Banco Hoje, realizada em São Paulo no dia 1 de junho num almoço patrocinado pela própria revista. Desta discussão talvez saia um primeiro documento tentando exprimir uma opinião comum da comunidade TIC sobre a questão de transparência na administração pública e a contribuição que as TIC podem fazer neste sentido. Nesta discussão houve chamadas para que os bancos contribuam para a construção de governos mais transparentes, aproveitando de tecnologias por eles e suas empresas afiliadas e fornecedores desenvolvidas e implementadas. Os bancos podem e já são parceiros importantes dos governos eletrônicos no Brasil, ajudando na arrecadação de impostos, taxas e contribuições.

Uma outra via para tentar mostrar o que cada segmento da comunidade TIC no Brasil pode oferecer ao País é a oferta do Projeto e-Brasil de abrir um Portal e-Brasil na Internet. Dentro deste portal todas as organizações do setor podem ter seu sub-portal para mostrar o que têm a contribuir para acelerar o desenvolvimento socioeconômico e melhorar a competitividade do país. No mínimo podem colocar links para seus próprios sítios na Internet. Mas podem fazer muito mais – abrir fóruns para discutir com outras organizações e a sociedade o que deve ser feito, mostrar exemplos de melhores práticas – em geral cada sub-portal pode ser uma vitrine para seu segmento da comunidade das TIC.

A ênfase do Projeto e-Brasil (www.e-brasilproject.net) é no uso intensivo das TIC para estes fins, e o Projeto terá seu próprio sub-portal dentro do Portal e-Brasil. Esperamos que o grupo de profissionais brasileiros e estrangeiros que participa neste projeto possa se consolidar numa ONG ou OCIP para dar maior institucionalidade ao projeto, que visa o uso intensivo das TIC como um eixo principal de uma nova estratégia de desenvolvimento para que o Brasil chegue ao ano de 2015 (depois de mais dois mandatos presidenciais) tendo alcançado os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM veja http://www.pnud.org.br/odm/index.php) concordados com a ONU junto com mais de 194 países no ano 2000, e muito mais. O projeto tem um importante livro em preparação que será lançado em meados de setembro de 2006, em plena campanha eleitoral. Realizou uma conferência internacional recentemente dentro do corredor de cidades digitais do Estado de Rio de Janeiro. Nesta conferência foram apresentados vários dos capítulos do livro em rascunho.

É possível que a comunidade TIC no Brasil faça mais do que preparar documentos ocasionais e participar no Portal e-Brasil – pode unir-se para formar uma organização de cúpula representativa dos interesses desta comunidade e exprimir estes interesses legítimos (e validados através de mecanismos de consulta – que poderiam ser eletrônicos) aos governos e à sociedade. Também ela poderia usar o Portal e-Brasil para sondar a opinião pública, lembrando, claro, que a opinião não será representativa da sociedade como um todo se não forem desenhados mecanismos de consulta com mostras aleatórias e sistemáticas como faz a IBGE nas Pesquisas Nacionais de Amostra por Domicílio) ou o IBOPE, a Datafolha, etc. É toda uma questão de organização, vontade e recursos.

A união faz a força, e a voz da comunidade TIC, unida, terá mais chance de ser ouvida, contribuindo à construção de um Brasil mais justa, rica e competitiva.

 

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