COLUNISTAS
Peter T. Knight
O projeto
e-Brasil tem como sua primeira prioridade no Decálogo do Candidato
e-Brasil a inclusão digital e o e-desenvolvimento.
1. Inclusão
digital e e-desenvolvimento.
Sem fortes políticas públicas de inclusão digital, é impossível realizar
outros elementos do Programa e-Brasil. O fundamental é acelerar o
acesso de toda a população à Internet de banda larga, utilizando para a
população menos favorecida modelos alternativos de sustentabilidade que
isentam o pagamento da assinatura, com remuneração por meio de publicidade,
e/ou recursos do Fust, dando prioridade às escolas, telecentros e outros
pontos de acesso coletivo. Também é muito importante fomentar a competição
envolvendo provedores e tecnologias de banda larga (fibra óptica, satélite,
cabo coaxial, Wi-Fi, Wi-Max, PLC), hardware e software (inclusive software
de código aberto), para baixar os custos. Um programa nacional de cidades
digitais levará os benefícios do e-desenvolvimento aos cidadãos nos
municípios hoje não atendidos. (O Decálogo do candidato e-Brasil se
encontra em
http://www.e-brasil.org.br/portal/defmod_brasil.aspx?p=13&n=27).
O Decálogo, contido no
livro e-Brasil – Um programa para acelerar o desenvolvimento
socioeconômico aproveitando a convergência digital (São Caetano do Sul,
SP: Yendis, 2006 – o texto pode ser baixado em
http://www.e-brasil.org.br/portal/defmod_brasil.aspx?p=13&n=24),
agora faz parte do programa oficial de duas entidades com peso no setor TIC:
a Associação Brasileira de Telecomunicações - TELECOM (www.telecom.org.br)
e a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (www.camara-e.net)..
Esperamos a adesão de outras das mais de 30 entidades do setor TIC que
queremos trazer ao Portal e-Brasil (www.e-brasil.org.br).
O Fust (Fundo
de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) é uma fonte potencial
de recursos a nível federal para financiar a inclusão digital. O seu saldo
atualmente excede R$5 bilhões e a estimativa é que no ano de 2007 entrem
mais de R$700 milhões neste fundo. Mas até agora ele nunca foi usado para
universalizar serviço de telecomunicações algum.
Temos uma
pergunta para os candidatos à Presidência da República: vão priorizar a
inclusão digital e trabalhar para eliminar os obstáculos que até agora
impediram o uso do Fust para este fim?
O Fust foi
criado para implementar o conceito de universalização introduzido pela Lei
n.º 9.472, de 16 de julho de 1997, a Lei Geral de Telecomunicações – LGT. A
Lei n.º 9.998, de 17 de agosto de 2000, regulamentou o Fust, cuja
finalidade, conforme seu art. 1º, é “proporcionar recursos destinados a
cobrir a parcela de custo exclusivamente atribuível ao cumprimento das
obrigações de universalização de serviços de telecomunicações, que não possa
ser recuperada com a exploração eficiente do serviço, nos termos do disposto
no inciso II do art. 81 da Lei n.º 9.472, de 16 de julho de 1997”. O Fust
possui diversas fontes de receitas, entre elas a contribuição de 1% sobre a
receita operacional bruta, decorrente de prestação de serviços de
telecomunicações nos regimes público e privado.
Há sinais positivos do
atual governo federal, e implicitamente do candidato Lula. O
Ministro das Comunicações, Hélio Costa,
anunciou um projeto-piloto para liberar cerca de R$ 755 milhões em recursos
do Fust nos próximos quatro anos. O projeto, elaborado ao longo dos últimos
nove meses, foi apresentado no dia 11 de outubro por Costa ao presidente do
Tribunal de Contas da União (TCU), que, aliás, determinou no seu Acórdão
Nº.
2.148/2005 de sete de dezembro de 2005
que o MINICOM “formule...as
políticas, diretrizes e prioridades para aplicação dos recursos do... Fust...
[e a] definição de quais ações governamentais do Programa de Inclusão
Digital serão beneficiadas pela aplicação dos recursos do Fust....”
O Programa de Governo do
candidato Lula diz que a tecnologia da informação será utilizada ... como
elemento estratégico, tanto quanto para a ampliação das ações de inclusão
digital para a modernização da gestão do Estado, a melhoria da qualidade do
gasto público e o controle social democrático.”
O
Programa de Governo do candidato Alckmin é mais específico – o capítulo XXVI
tem como proposta “Promover a ‘Universalização do Acesso à Internet’ usando
recursos previstos no FUST para este fim (estimados em cinco bilhões de
reais, com 700 milhões anuais adicionais).” Inclui também um Programa
Especial: “O Cidadão na Rede – Oferta de conexão em banda larga à Internet
em todos os municípios brasileiros, mediante a participação integrada do
poder público, de empresas estatais e de agentes privados. Em paralelo,
serão promovidas medidas para formação de multiplicadores para capacitar a
população a utilizar e se beneficiar efetivamente dos serviços disponíveis
na Internet, tanto os de atendimento ao cidadão, informação, cultura e
entretenimento, como também os relacionados à inserção no moderno mercado de
trabalho.”