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Colaboração indo-brasileira para inclusão digital

Artigo publicado na revista, Banco Hoje,  dezembro de 2006/janeiro de 2007, p. 42 (fotos

não publicados, pequenas correções na tabela realizados 27/01/07 e 02/02/07)

COLUNISTAS Peter T. Knight

Em 2005, Nicholas Negroponte, do famoso Media Lab do MIT (Massachusetts Institute of Technology), se reuniu com o Presidente Lula e lhe propôs que o Brasil participasse no programa do que naquela época se chamava “”Um Laptop por Aluno”” (One Laptop per Child ou OLPC em inglês) com uma encomenda de um milhão de “Laptops de US$100”. O Presidente Lula, experiente negociador, expressou interesse, mas decidiu estabelecer um sistema de avaliação para apreciar a oferta do MIT e outras eventuais ofertas concorrentes para laptops de baixo custo, assim como outros meios para trazer computadores aos alunos das escolas públicas brasileiras.

Em dezembro de 2007, mais de dois anos mais tarde, chegaram os primeiros protótipos dos “Laptops de US$100”, cujo nome tinha mudado para CM-1 (Children’s Machine 1) e o preço tinha subido para uns US$145, supondo-se que o Brasil e outros países pudessem juntar encomendas totalizando de 6 a 10 milhões de unidades. Nesta altura do jogo, há três laptops sendo avaliados: o CM1, o “Classmate” da Intel, e o Mobilis desenvolvido pela Encore Software de Banglore, na Índia (empresa que desenvolveu antes o Simputer, premiado e bem conhecido no mundo da informática). O Móbilis já está em produção comercial com um preço unitário de US$165 para uma encomenda de um milhão de unidades.

Três laboratórios brasileiros estão testando estes laptops – a Fundação CERTI de Florianópolis, o Centro de Paulo Renato Archer (CenPRA) do Ministério de Ciência e Tecnologia em Campinas e o Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo (LSI/USP). Os testes do Mobilis foram realizados em outubro de 2006 depois de duas visitas ao Brasil pelo CEO da Encore, o engenheiro eletrônico Vinay L. Deshpande, a primeira vez como parte de uma delegação indiana que veio ao Brasil dentro do programa do diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS) organizado pelo Ministério de Relações Exteriores. Testes em aulas com alunos dos três laptops estão sendo programados como parte da avaliação de devem ser concluídos no primeiro semestre de 2007.

 

Três Concorrentes no Concurso Um Computador por Aluno da Presidência da República/MEC

 

Encore Software Mobilis

Negroponte/2B1 Childrens’ Machine 1

 

Intel Classmate

CPU

400 Mhz Intel PXA-255

AMD Geode GX-500366 Mhz

Intel Celeron 900 MHz

DRAM

128-256 MB

128 MB

256 MB

Storage

128 MB – 2 GB Flash

512 MB SLC flash

 

1 GB NAND flash

 

Display

7.0”TFT LCD 800x480 64 k colors, touch sensitive

7.5” Dual-mode TFT 1200x900

 

7.0” TFT LCT 800x480

Sistema Operacional

Montavista Linux

 

Linux

Win XPE / Linux

 

Connectivity

10/100 ethernet, V.90 modem, Mesh Wi-Fi, GRPS (um incluído, outros disponíveis como opções)

Mesh Wi-Fi

 

Ethernet ou Wi-Fi

Battery

Li-ION  5-6 horas

NiMH, 22.8 Watt-horas

Não especificado 3-4 horas

Built-in peripherals

2 USB2 Host Ports, 1 USB slave port, RS-232C, VGA Out (opção), TV out (opção), GPS (opção) MMC Card Slot

SmartCard I/F, Microfones, earphone jack, altos falantes

3 USB2 ports, câmera de vídeo, microfone, alto falantes

2 USB2 ports, microfone, earphone jack, outros não especificados

Price, availability

$165 para encomendas de 1 milhão de unidades, disponível comercialmente desde outubro de 2006

Meta de $150 supondo encomendas totalizando  6-10 milhões de unidades, protótipos disponíveis em dezembro de 2006

$250-350 preço estimado, protótipos disponíveis em dezembro de 2006

Fontes: Encore Software www.ncoretech.com; www.olpc.org www.intel.com, http://www.planoeditorial.com.br/ti_governo/TI_GOVERNO_179.pdf,

http://pilotosdoprojetouca.blogspot.com/.

Em setembro de 2006, a Encore iniciou negociações com empresas brasileiras para produzir e comercializar no Brasil quatro dispositivos: o Móbilis, o SofComp – quase idêntico ao Móbilis, mas que não tem nem monitor nem teclado e custa somente $100 em lotes de um milhão, o Simputer – que tem o tamanho de um PDA e aceita Smartcards e pode ser usado para reduzir fraudes em programas de micro crédito e a Bolsa Família e o SATHI – aparelho militar que estabelece uma rede mesh entre soldados ou policiais numa unidade e permite que eles conheçam suas posições exatas e possam indicar posições inimigas e ao mesmo tempo se comunicarem entre si e com seu comandante. Mas a Encore foi além: está também negociando com grupos científicos brasileiros para trabalharem juntos visando a melhorar estes dispositivos e desenvolver a próxima geração de “dispositivos de informática”, incluindo uns que poderão ser integrados em “set top boxes” ou TVs digitais e se comunicar com a Internet usando as tecnologias Wi-Fi e Wi-MAX.  

Assim, a Encore e seus parceiros se enquadra claramente dentro das políticas brasileiras de colaboração Sul-Sul e também dentro do Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Política Industrial  e do Comércio Exterior (PITCE) do Governo Federal.

Em outubro de 2006, a Encore decidiu entrar numa colaboração tecnológica com a Telavo Digital, o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (CITEC) e uma unidade de pesquisa da Universidade Católica do Rio Grande do Sul para desenvolver e adaptar estas “dispositivos de informática” às condições latino-americanas e também trabalhar em tecnologias sem fio avançadas. Este é um exemplo concreto de como o Brasil pode colaborar com a Índia para atingir objetivos comuns.  

 

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