Telemática e Desenvolvimento Ltda.
Página Principal Subir Comentários Conteúdo Busca

Subir

TV e inclusão digitais

Artigo publicado na revista, Banco Hoje,  fevereiro de 2007, p 36. 

COLUNISTAS Peter T. Knight

  “Se formos rápidos no planejamento da implantação da televisão digital brasileira e no desenvolvimento de soluções locais criativas, envolvendo conteúdo e redes inteligentes, para facilitar a inclusão digital, o Brasil terá uma enorme oportunidade, não só de construir uma solução inteligente para a sociedade, mas também para outros países da América Latina, África, este europeu e a Ásia, transformando o país em um importante exportador de soluções.” Quem diz isso é Fernando Bittencourt, Diretor da Central Globo de Engenharia, num capítulo do livro e-Desenvolvimento no Brasil e no Mundo: Subsídios e Programa e-Brasil a ser publicado pela Editora Yendis.

   No processo de desenhar e organizar este livro com meus colegas Ciro Campos Christo Fernandes e Maria Alexandra Cunha, fiquei cada vez mais impressionado com as oportunidades que a TV digital apresenta para a construção de um Brasil mais justo e mais competitivo, os dois principais objetivos do Projeto e-Brasil que coordeno. Depois de uma apresentação sobre a TV Digital na Associação Comercial do Rio de Janeiro por João Roberto Marinho, procurei obter um capítulo escrito por um qualificado profissional das Organizações Globo, neste caso Fernando Bittencourt. Outros capítulos neste livro também tratam o tema.

   Considere outro trecho impactante do capítulo de Bittencourt: ”Evidentemente, quando falamos em inclusão digital, não estamos falando em apenas uma caixinha conversora barata para receber TV digital nas televisões atuais, o que falamos passa pela implantação e forte investimento nos nossos centros de pesquisa, coordenação dos trabalhos de diversas universidades para que esses desenvolvam soluções complementares e absolutamente inovadoras, tanto para a rede – que certamente não será composta apenas pela rede de televisão, pois necessita de uma rede de telecomunicações atuando de forma complementar - como para o hardware e, principalmente, para as aplicações que envolvam interatividade dos receptores.”

   Vamos imaginar o que poderia ser criado. Dentro da caixinha conversora (set top box – STB) do sinal de TV digital para as TVs analógicas existentes ou dentro de uma nova TV digital, poderíamos ter um computador de baixo custo equipado com receptor de Internet sem fio (Wi-Fi, Wi-MAX). Com isto, a TV digital teria um canal de retorno para poder desempenhar, com a ajuda de outros softwares que podem ser desenvolvidos, funções interativas mesmo – ou típicas da Internet (a tela da TV viria a ser o monitor do computador) ou mais sofisticadas, usando dados transmitidos pelas emissoras de programas de TV digital. As possibilidades para educação, saúde, comércio, transações bancárias e todo tipo de serviços governamentais são quase ilimitadas. Estimamos que para agregar um computador pequeno que use o sistema operacional Linux num STB ou em uma nova TV digital custaria na ordem de R$150 a R$200. E projetos para fazer isto já estão em marcha.

   Mas de onde viria a conexão à Internet? Hoje uma conexão de banda larga no Brasil custa muito caro, seja via linhas telefônicas convencionais (ADSL), cabos coaxiais de TV (tipo Net), ou via satélite – esta últimasendo a mais cara, mas a única maneira de conseguir acesso na maioria do território brasileiro. Realmente a banda larga está fora do alcance das classes C, D, e E se não estiver num ponto de acesso coletivo, um telecentro, uma escola, um café Internet, etc. Mas não tem que ser assim. Em alguns municípios pioneiros do Brasil, como Piraí e Rio das Flores no Estado do Rio de Janeiro e Sud Menuschi no Estado de São Paulo, o sinal Wi-Fi ou Wi-MAX já está disponibilizado como serviço público sem tarifa ou a preços módicos. O número de tais municípios deve crescer rapidamente com a aproximação das eleições municipais de 2008.

   Sabemos que o Plano de Governo de José Serra prevê ter 645 municípios digitais em São Paulo, e que o sinal da Internet será entregue às prefeituras de municípios até 100.00 habitantes usando a Rede IntraGov, rede de voz, dados e vídeo IP do Estado de São Paulo para distribuição nos seus municípios. O Programa de Governo continua: “O segundo passo para universalizar o acesso com qualidade à Internet será abrir a conexão de banda larga por meio de redes sem-fio (wireless) para qualquer cidadão, empresa ou entidade social do município. A meta é instalar pelo menos uma conexão de 2 Mbps e pontos de acesso wireless em cada município até 2010.” Sabemos também que no município de Rio das Fores e parte do município de Piraí no Rio, o programa Gesac, do Ministério de Comunicações já entrega o sinal da Internet via satélite para distribuição wireless nestes municípios. O ex-prefeito de Piraí (que estabeleceu o programa Piraí Digital e ganhou seu segundo mandato com 88% dos votos) é agora Vice Governador do Estado do Rio de Janeiro e quer 92 municípios digitais no seu estado.

   Pense: se for liberado o Fust – Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações – para programas de inclusão digital desta natureza, complementando os recursos dos estados, dos municípios, do setor privado e das ONGs, será possível levar a Internet de banda larga a todos os municípios do Brasil. E a disseminação dos STBs e das novas TVs digitais poderia ser muito mais rápida do que se imagina. São mais de R$6 bilhões no Fust que ficaram sem uso, com mais de R$700 milhões entrando neste fundo no ano de 2007. Poderia ser um programa tão popular como a Bolsa Família, e muito mais revolucionário no seu impacto sobre o desenvolvimento de um país mais justo e mais competitivo. E não esqueça as palavras de Fernando Bittencourt: com a TV e inclusão digitais podemos estar “transformando o país em um importante exportador de soluções.”


 
 

Página Principal Subir Comentários Conteúdo Busca