O Brasil está perdendo tempo
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COLUNISTAS
Peter T. Knight Saíram os rankings para 2007 de “e-readiness” da Economist Intelligence Unit - EIU, entidade ligada à famosa revista britânica. A EIU define e-readiness como “a ‘state of play’ da infrastrutura de tecnologia de informação e comunicação (TIC) de um país e a capacidade de seus consumidores, empresas e governos a usar a TIC em seu benefício.” O Brasil caiu em posição relativa de 41º em 2006 para o 43º lugar entre os 69 países avaliados – superado na América Latina por Chile e México (números 31 e 37 respectivamente) e só uma posição à frente da Argentina, que também perdeu duas posições. Porém, os números absolutos de todos estes países latino-americanos subiram, com o Chile e México avançando uma posição cada um no ranking. Então Brasil avançou em términos absolutos, mas outros países da região avançaram mais. Nem falar de países asiáticos como Cingapura, Hong Kong, Japão e Taiwan, que avançaram pelo menos seis posições. Nesta corrida o Brasil está perdendo. Pior, o Brasil vem caindo nos últimos x anos, não só entre 2006 e 2007. Estava na posição 34 em 2002.
E não
é só no ranking de e-Readiness da EIU que Brasil
está perdendo. A Accenture costumava avaliar um
número menor de países do que a EIU, mas se
concentrando na área de e-governo. Em 2001, o
Brasil estava no 18º lugar – primeiro dos países
da América Latina. Mas em 2005 tinha caído ao
22º lugar. Em 2001 o México ocupou o 22º lugar,
em 2005 tinha subido para 14. Em 2006, a
Accenture não deu rankings, mas o relatório
deste ano observou que o Brasil precisava
revigorar sua estratégia e enfoque – sem isso, o
Brasil “está em risco de cair cada vez mais
atrás de outros países que já começaram a
progredir no caminho à entrega do próximo nível
de valor de serviço aos seus cidadãos.” Como diz Cláudio Frischtak num estudo para o Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos em 2006 “A fragmentação das iniciativas, o baixo nível de integração entre diferentes instituições de governo, a competição inter-burocrática que gera sub-reposição de ações e desperdício de recursos, são, em última instância, reflexo da baixa prioridade que governo e sociedade de fato atribuem à concepção, ao desenho e à implementação de um programa de melhoria da educação e da inclusão digital. Apesar das afirmações em contrário, ainda falta compreensão sobre a importância para o futuro do país de se estabelecer os fundamentos da economia do conhecimento – universalização do acesso à informação e educação de qualidade – e a urgência de atribuir a mais alta prioridade política a uma agenda efetivamente transformadora da economia e da sociedade do país.” Esta falta de prioridade é confirmada também por instituições como o Banco Mundial – perguntado sobre porque esta instituição financeira internacional não estava ativa nesta área no Brasil em anos recentes, a resposta de seus dirigentes responsáveis para operações no Brasil tem sido “ninguém entre nossos interlocutores no Governo nos disse que é uma prioridade nacional, e procuramos calcar nossa estratégia (chamada Country Assistance Strategy - CAS) às prioridades nacionais.” A pergunta natural é por quê? As TICs são tecnologias genéricas que afetam todos os setores da economia, são fundamentais para a economia do conhecimento, para a capacitação permanente da força de trabalho e para baixar os custos de transação. O e-governo pode reduzir os custos de serviços governamentais para cidadãos e empresas e aumentar a transparência e eficiência dos governos. No Legislativo, permite aos cidadãos e sociedade civil organizada novas maneiras de expressar o que esperam de seus legisladores, aperfeiçoando a democracia. No Judiciário permite também diminuir a morosidade e custo dos processos. O projeto e-Brasil visa a construção de um Brasil mais justo e mais competitivo com o uso intensivo das TICs. Busca que este objetivo seja realmente uma prioridade nacional. Com este fim já publicou dois livros e tem um terceiro e mais completo, com 40 capítulos por um total de 61 autores que deve sair em junho ou julho deste ano. Prepara uma campanha de comunicação estratégica na mídia, busca a formação de uma bancada pluripartidária no Congresso e colocou como sua prioridade número um a inclusão digital, com banda larga em todos os municípios e o lançamento de um programa nacional de cidades digitais. |
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