Telemática e Desenvolvimento Ltda.
Página Principal Subir Comentários Conteúdo Busca

Subir

Liderança, sinergias e economias de escala

Artigo publicado na revista, Banco Hoje,  novembro de 2007, p. 20.

COLUNISTAS Peter T. Knight

  No uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para acelerar o desenvolvimento socioeconômico (o e-desenvolvimento) há sinergias entre ações em diferentes setores – educação, saúde, segurança pública, etc. Por exemplo, a educação geralmente melhora a saúde, estudantes com saúde melhor aprendem mais, pessoas melhor educadas e treinadas são mais produtivas, geram mais impostos que permitem dar melhores serviços públicos e, normalmente, são menos dadas a atividades que ameaçam a segurança pública. Sem segurança pública é difícil entregar serviços governamentais como educação e saúde – ver a situação nas zonas de guerra urbana não declarada como muitas das favelas do Rio de Janeiro. E assim por adiante.Também há grandes economias de escala que podem ser realizadas na compra e no uso das TICs (telecomunicações, datacenters, software e hardware, etc.).
   Mas para realizar estas sinergias e economias de escala, é necessário que exista uma coordenação forte acima dos ministérios e secretarias setoriais. Esta coordenação pode ser exercida desde ministérios ou secretarias transversais (tais como Fazenda ou Planejamento), mas é importante que tenha o apoio explícito do Presidente, Governador ou Prefeito e ser vista, pelos funcionários públicos como uma política do principal executivo, cobrada por ele.
   Se não for assim, é difícil “quebrar os silos” – quer dizer evitar que os interesses setoriais e corporativistas dos ministérios ou das secretarias e outros órgãos governamentais prevaleçam sobre o interesse mais global do governo como um todo e dos eleitores, que no fim, numa democracia, devem ser considerados como os “donos” dos governos. Quando os interesses setoriais prevalecem, geralmente não se realizam as tais sinergias e economias de escala. Multiplicam-se programas não bem articulados, pouco coordenados, com perda de potenciais sinergias e economias de escala. Podemos citar muitos exemplos tanto no Governo Federal como nos governos estaduais e municipais aqui no Brasil. Por exemplo, no primeiro Governo do Presidente Lula, havia mais de dez programas de inclusão digital nos diversos ministérios. No segundo governo Lula há um Assessor Especial do Presidente Lula, Cezar Alvarez, que procura coordenar estes programas.
   Este não é só um problema brasileiro – é comum em todo o mundo. No livro e-Desenvolvimento no Brasil e no mundo: subsídios e Programa e-Brasil (São Caetano do Sul, SP: Yendis, 2007 (ver 
http://www.e-brasil.org.br/portal/defmod_brasil.aspx?p=42&n=87) há um capítulo analisando como se lida com este problema em 40 países diferentes.
   No caso do Governo Federal Brasileiro, desde o ano 2000 o e-governo é coordenado pelo Comitê Executivo do Governo Eletrônico, composto de representantes de vários ministérios, chefiado pelo Ministro (atualmente Ministra) da Casa Civil com um secretariado na Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão. Há oito Comitês Técnicos interministeriais tratando de importantes assuntos, como inclusão digital, interoperabilidade de sistemas, gestão do conhecimento, etc. No papel, um arranjo mais do que adequado. Na realidade depende do interesse do Presidente e do Ministro da Casa Civil.
   O fato é que o e-governo não tem sido uma prioridade nos Governos Lula, mas agora parece que o desenvolvimento da info-estrutura de banda larga do país está tornando-se uma prioridade por causa do compromisso assumido pelo Presidente Lula no seu discurso de posse de seu segundo mandato de ter a banda larga e computadores em todas as escolas do país até o fim de seu segundo mandato em 2010. A banda larga também pode ser importante para dar um canal de retorno para a TV digital interativa, cujo rollout começa no dia 2 de dezembro deste ano em São Paulo. A TV digital interativa vai permitir o desenvolvimento do T-governo, T-comércio, T-educação, T-saúde e o aperfeiçoamento do sistema democrático. Mais um exemplo de sinergias – desta vez entre banda larga e TV digital.
   Cabe notar aqui que houve um avanço importante no dia 6 de novembro, quando a Anatel autorizou a “troca de obrigações” das operadoras de telecomunicações (de construção de Postos de Serviços de Telefonia – PSTs para a construção do backhaul nos mais de 3500 municípios brasileiros sem este serviço estratégico). Uma possibilidade seria que o Presidente e a Ministra da Casa Civil prestigiassem o Comitê Executivo do Governo Eletrônico, hoje relativamente inativo, e até ampliassem sua ação para ser um Comitê Executivo do e-Desenvolvimento, abarcando estas outras importantes iniciativas e facilitando a realização das sinergias e economias de escala inerentes no e-desenvolvimento, desse modo contribuindo à construção de um Brasil mais justo e mais competitivo.
   Nos estados há situações diversas, mas a problemática é a mesma. Programas transversais como o e-desenvolvimento precisam de coordenação acima das secretarias verticais, os tais “silos”.
 

 

Página Principal Subir Comentários Conteúdo Busca