O internet banking vem assumindo uma posição cada vez mais importante no Brasil e no mundo. As razões são simples. Para os bancos, o custo de uma transação bancária na internet é menos de 10% do custo de uma transação presencial numa agência bancária, menos de 20% do custo de uma transação via telefone, e menos de 40% do custo de uma transação numa caixa eletrônica. Para os clientes, a opção de realizar transações financeiras na própria residência ou empresa poupa muito o tempo em filas e em viagens (que têm um custo) às agências bancárias.
A inclusão bancária das classes C, D e E talvez não seja muito interessante para os bancos, já que confrontam mais ou menos os mesmos custos tanto para contas pequenas como para contas maiores. Estes custos, porém, seriam bem menores se houvesse a possibilidade de atender estas classes pela internet.
Logo surge um obstáculo – o custo de computadores, de periféricos e da banda larga juntos resultam na exclusão digital destas classes, pelo menos se fosse o objetivo atendê-las nos seus domicílios. Somente 1.6% dos domicílios das classes D/E tinham acesso à internet de qualquer tipo em 2006 enquanto esta estatística era de 81.5% para a classe A, 51.2% para a classe B e 12.1% para a classe C – estes números são da pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (ver http://www.cetic.br/usuarios/tic/2006/rel-geral-05.htm). O custo dos computadores e periféricos vem caindo e as condições de financiamento melhoraram com o programa Computador para Todos. Mas o custo da banda larga (que inclui algo como 40% de tributação) permanece extremamente alto (geralmente perto de R$100 por mês, quase sempre acima de R$50), o que inviabiliza o acesso domiciliar para as classes menos favorecidas, mesmo quando o serviço de banda larga está disponível (falta atualmente em uns 3400 municípios dos 5564 municípios brasileiros). Ademais, para se ter acesso à banda larga, se necessita, na maioria dos casos, uma linha de telefone fixa (para ADSL), cabo coaxial (tipo Net) – duas opções caras – ou uma conexão via satélite, ainda mais cara.
Com a chegada de computadores de baixo custo e set-top boxes para receber o sinal da TV digital num televisor analógica (convencional, presente em 93% dos domicílios brasileiros), com computador embutido e que usa o sistema operacional Linux e o middleware brasileiro Ginga, será possível reduzir o custo de equipamentos necessários para o internet banking ou T-banking (via TV digital interativa) até a faixa de R$250-450, preços que, com financiamento, devem tornar os equipamentos acessíveis para as classes C e D, e talvez até E. Mas qual a solução para a banda larga?
A solução é banda larga (ou talvez melhor dito, média, de uns 256-512 kbps) grátis distribuída nos municípios brasileiros com tecnologias sem fio (WiMAX, Wi-Fi, Wi-Mesh) como serviço público (como a iluminação pública), paga com recursos públicos. Acima desta banda básica, o cidadão pagaria taxas comerciais. Mas uma banda dessas dá para canal de retorno para e-comérico, internet banking, e-educação, serviços de e-governo, TV digital interativa e bastante mais. Uma verdadeira revolução – revolução já em processo em vários municípios brasileiros que optaram por esta solução.
De onde viriam os recursos para pagar esta “iluminação” de banda larga? Provavelmente de uma combinação de recursos federais, estaduais e municipais e até do setor privado e terceiro setor (ONGs) – há muitos modelos possíveis de serem desenvolvidos, com obstáculos regulatórios para alguns deles. Problemas não faltam. Mas o Distrito Federal e o Estado do Acre já estão trilhando o caminho da internet básica grátis, desbravado em municípios como Rio das Flores (RJ), Sud Mennucci (SP), Tiradentes (MG) e Parantins (AM). Outros estados seguramente seguirão. O que é importante é que haja vontade política para avançar – o acesso à informação via internet é fundamental para a construção de um Brasil mais justo e mais competitivo.
Dois passos significativos estão perto de ser realizados a nível federal. O primeiro é a troca de obrigações das operadoras de construir PSTs – Postos de Serviços de Telecomunicações (uns 8460) por outra de construir o backhaul de banda larga para os 3.400 municípios sem banda larga hoje e dar conexões grátis a umas 55.000 escolas públicas urbanas, troca que seria oficializada num decreto presidencial ainda neste mês de fevereiro. O segundo, importante para áreas mais remotas, é a licitação de 12.000 pontos satelitais do programa Gesac do Ministério das Comunicações atualmente em processo. Os termos do edital permitem a distribuição local da banda larga satelital via tecnologias sem fio.
Outros recursos poderiam vir do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), nunca usado para universalizar serviço algum, ou de outra fonte federal. Não seria do interesse dos bancos e a Febraban entrar na luta para universalizar o serviço básico de banda larga? Nada custa aos bancos, e reduziria seus custos operacionais, permitindo uma maior inclusão bancária. As contas pequenas hoje podem crescer com o progresso econômico dos incluídos bancários.
Considere a experiência da Fundação Bradesco. Aplica lucros provenientes de suas ações do Bradesco em escolas de altíssima qualidade para alunos de famílias pobres. Faz um serviço ao país. Mas também o Bradesco freqüentemente recruta os melhores ex-alunos que se tornam excelentes e leais empregados.