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Novas parcerias para a inclusão bancária

Artigo publicado na revista, Banco Hoje,  março de 2008, p. 20

COLUNISTAS Peter T. Knight

As cidades digitais e o m-banking (uso de celulares para transações bancárias) apresentam duas novas vias de inclusão bancária. Vem aí também o t-banking (uso da televisão digital), mas esta via precisa de um canal de retorno, de preferência via internet, que as cidades digitais estão oferecendo.

As cidades digitais podem oferecer a internet de banda média sem fio grátis aos seus munícipes, como iluminação pública, paga com recursos públicos. Estes recursos públicos podem ser uma combinação de recursos federais, estaduais e municipais e podem ser suplementados com recursos privados via parcerias com bancos, empresas de telecomunicações e outras. Com a queda nos preços dos computadores, que deve continuar, os computadores estão entrando nos domicílios das classes C, D, e até E. E as cidades digitais costumam oferecer acesso à internet e cursos de alfabetização digital em telecentros públicos, inclusive usando como tal escolas informatizadas fora do horário escolar. O setor privado também está oferecendo ao público cada vez mais opções de acesso a preços módicos via internet cafés e lan houses.  

Assim, a internet banking pode tornar-se uma realidade, suplementando as agências bancárias e caixas eletrônicas, e a custos muito menores por transação. A chegada da TV digital com set-top boxes de baixo custo que permitem a interatividade (o middleware brasileiro Ginga) e aproveitando televisores analógicos (convencionais) também pode ser utilizada para oferecer serviços bancários (t-banking). Seu maior obstáculo será a ausência de um canal de retorno, facilmente contornado incluindo-se um cartão W-Fi ou Wi-MAX no set-top box ou novo TV digital interativo numa cidade digital que oferece internet grátis ou de baixo custo. 

Mas em cidades digitais que aproveitam programas sofisticados de software livre para administração municipal como o Progam (desenvolvido na UNESP em São Paulo – veja o artigo por Bizelli, Cintrão e Nogueira neste número de Banco Hoje), com georeferenciamento de domicílios, empresas, estabelecimentos comerciais e edifícios públicos, é possível desenvolver novas parcerias com bancos para oferecer micro-crédito usando um cartão-cidadão com dados básicos que o mesmo pode compartilhar com os bancos. Esta oferta de microcrédito pode ser diretamente ao cidadão ou via estabelecimentos comerciais que, por sua vez, aproveitam o cartão cidadão para estender crédito aos seus clientes.

Também as micro ou pequenas empresas cadastradas no município podem receber microcréditos para investimentos na expansão de seus negócios, assim promovendo o desenvolvimento da economia local. Os bancos podem até financiar a regularização tributária no cadastro municipal de IPTU para cidadãos e empresas, reduzindo a dívida ativa do município, assim permitindo novos investimentos na melhoria de serviços públicos. Esta redução da dívida ativa pode ser uma das fontes de recursos para a “iluminação” da cidade com internet sem-fio, a informatização dos serviços públicos e a criação de um portal municipal de serviços na internet.  

A outra parceria que promete para a inclusão bancária é o m-banking, aproveitando celulares, seguindo o modelo do celular pré-pago para começar. Com uns 125 milhões de celulares ativos no Brasil, dos quais mais de 80% são pré-pagos, as possibilidades são bem interessantes. Este tipo de parceria envolve um banco e uma companhia de telecomunicações, e todo o sistema de recarga de celulares que pode ser um meio de injetar novos recursos numa conta bancária. Assim é possível fazer pagamentos para bens e serviços em estabelecimentos que participem deste esquema (o m-comércio). O m-banking já está bastante desenvolvido em países como as Filipinas e a África do Sul, e está começando a ser explorado no Brasil, por exemplo pelo Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Real-Amro, mas só para pessoas que já têm contas nestes bancos. Em geral o m-banking permite

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fazer depósitos e saques em efetivo,

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permitir terceiras partes (empregador, familiar, ou organização de micro-crédito, etc.) fazer depósitos na conta de um usuário,

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fazer compras em empresas participando no esquema,

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comprar tempo adicional no celular usando a conta bancária associada,

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transferir recursos entre contas de diferentes usuários,

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transferir tempo (airtime) de celular entre usuários, e

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pagar contas.

 Para reduzir riscos, normalmente a prática em outros países é não oferecer crédito, mas sim a conveniência e segurança de poder realizar transações no celular via saldos disponíveis nos próprios celulares, usando SMSs para efetuar as transações. A operadora é remunerada por mensagem, e o banco tem o float das contas que pode ser depositado em nome da operadora e não do dono do celular. Este depósito, seja coletivo ou individualizado, pode ser aplicado pelo banco como qualquer outro depósito em conta corrente. Parece que há problemas regulatórios e de padronização que impedem o desenvolvimento m-banking no Brasil para pessoas que não têm contas bancárias convencionais. Este assunto merece atenção tanto por parte dos bancos quanto por parte das operadoras. Há um grupo na FEBRABAN estudando como resolver estes problemas.

Assim, com o crescimento do número de cidades digitais e de telefones celulares, os bancos podem oferecer serviços a novos clientes. As novas parcerias com municípios digitais e empresas de telecomunicações podem ajudar na construção de um Brasil mais justo e mais competitivo.

 

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